Lula ironiza fuga de Flávio aos EUA: "Pé frio, derrotou o Trump"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou nesta quinta-feira (5) a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos após sua derrota no segundo turno presidencial. As declarações ocorreram durante a "Live da Vitória", transmissão ao vivo com o deputado André Janones (Rede-MG), que também criticou o ex-candidato e sua entrevista ao jornal americano The New York Times.
Lula comparou sua utilização da bandeira brasileira durante a campanha com a postura do adversário em relação aos Estados Unidos, e atribuiu a ele o mau desempenho do partido Republicano, de Donald Trump, nas eleições americanas de meio de mandato.
"Enquanto eu fazia isso, o meu adversário pegava a bandeira americana e ficava beijando. E foi correr agora, pé frio, derrotou o Trump. Chegou nos Estados Unidos, o Trump perdeu. Foi lá para pegar a proteção. Você vai ver a proteção que você vai ter", declarou.
Janones, por sua vez, comentou a repercussão da primeira entrevista concedida por Flávio desde sua chegada aos Estados Unidos. "Ele foi feito de palhaço pelo jornal New York Times também, lá nos Estados Unidos, chamaram ele para uma entrevista e ele achou que ele ia ser pintado como um herói", disse.
"O jornal foi e divulgou a matéria hoje retratando a verdade, retratando ele como um fujão que correu do país, fez papel de trouxa de novo", completou o deputado.
Entrevista ao New York Times
O jornal americano publicou nesta quinta-feira (5) entrevista com Flávio Bolsonaro, realizada em Miami. O senador declarou que organizou a própria saída do Brasil, sem auxílio de governos estrangeiros, e que pretende manter em segredo os detalhes da viagem.
A reportagem, entretanto, apresentou informações de autoridades americanas segundo as quais o avião particular que transportou Flávio até Miami foi providenciado por funcionário da Casa Branca. O presidente Donald Trump também teria autorizado pessoalmente sua entrada nos Estados Unidos.
O senador voltou a questionar, sem apresentar provas, a vitória de Lula e declarou que pretende contestar o resultado na Justiça. Reconheceu, porém, que suas possibilidades de conseguir a anulação da eleição são pequenas.
Fuga para os Estados Unidos
Flávio deixou o Brasil em 27 de outubro, dois dias após perder a eleição presidencial. O senador descumpriu determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o proibiu de deixar o país e ordenou a entrega de seus passaportes à Polícia Federal.
O parlamentar atravessou a fronteira com a Argentina e seguiu para os Estados Unidos com a esposa e as duas filhas. A PF abriu investigação sobre as circunstâncias da viagem, após constatar a ausência de registros oficiais de sua passagem pelos controles migratórios brasileiros.
Flávio é investigado no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro em operações financeiras com o advogado Willer Tomaz, além de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O senador nega ter cometido crimes e acusa o Judiciário de perseguição política.
Desafio no TSE
Durante a transmissão, Lula também retomou o desafio que apresentou a Flávio durante a campanha presidencial para que ambos divulgassem seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos, incluindo dados de familiares e empresas.
"Porque você sabe que o meu documento está lá na justiça ainda, esperando o Flávio levar os dele para ver quem é honesto desse país e quem é ladrão. Eu estou disposto a dar a minha vida para provar quem é honesto desse país e as minhas contas estão lá, contas minhas, das minhas famílias, tudo, arregaça tudo", disse.
O desafio foi apresentado durante o debate da Band, em 18 de outubro. Quatro dias depois, representantes dos dois candidatos assinaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um acordo para a divulgação recíproca das informações. As campanhas divergiram, entretanto, sobre o cumprimento das exigências estabelecidas.
O ministro André Mendonça extinguiu o processo em decisão divulgada na quarta-feira (4). O magistrado considerou que cabe aos próprios candidatos decidir quais informações desejam tornar públicas, sem necessidade de autorização da Justiça Eleitoral.