• Redação
  • 13/09/2026

Leia o plano sobre aliança de Flávio Bolsonaro para ceder terras raras aos EUA

Amado Mundo - Um “memorando estratégico” elaborado por André Marinho, candidato do Partido Novo a governador do Rio de Janeiro e filho do suplente de Flávio Bolsonaro ao Senado, inclui diretrizes em inglês de como seria uma parceria entre Brasil e Estados Unidos para exploração de minerais críticos e terras raras em um eventual governo de Flávio. Revelado pelo Amado Mundo nesse sábado, 12/9, o documento tem 22 páginas em formato de uma apresentação de PowerPoint e foi elaborado em 19 de março deste ano.

O autor do documento afirmou que o arquivo não teria relação com a campanha de Flávio, mas a capa da apresentação estampa “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign” e todas as demais páginas trazem uma logo “Flávio Bolsonaro”, com o slogan “Prosperity Partnership” abaixo.

Marinho também disse que a apresentação não foi levada a nenhum interlocutor americano. A família dele tem ligação com o trumpismo. A cantora Giulia Be, filha do empresário Paulo Marinho, suplente de Flávio, e irmã do candidato do Novo, é casada com Conor Kennedy, filho do secretário de Saúde do governo Donald Trump, Robert Kennedy Jr.

O que prevê a parceria com os Estados Unidos

O memorando prevê que uma administração de Flávio “posicionará o Brasil como o principal fornecedor e polo de processamento de minerais críticos alinhado ao Ocidente no Hemisfério Ocidental, ao mesmo tempo em que assegura a industrialização, a geração de empregos e a autonomia estratégica”.

Dividida em tópicos, a apresentação prossegue afirmando que o “Flávio Bolsonaro Way” se baseia em três princípios: o Brasil não seguiria sendo um exportador de matéria-prima, não se tornaria “estruturalmente dependente” de cadeias de processamento chinesas e “se alinhará com os Estados Unidos na construção de um sistema de abastecimento paralelo”.

As diferenças apontadas entre Lula e Flávio Bolsonaro

O documento classifica o governo Lula como “pró-China” e direcionado por uma “ambiguidade geopolítica deliberada”, “flexibilidade de alinhamento com a China”, “avanço regulatório lento” em relação às terras raras e minerais críticos, industrialização “incerta” e atração de capital “reativa”. Já a “parceria para a prosperidade”, como o plano descreve suas ideias para um governo Flávio Bolsonaro, teria “claro alinhamento ocidental”, foco na “execução”, “política industrial + integração minerária”, “aceleração regulatória” e “atração de capital”.

“A diferença é simples: Lula hesita, Bolsonaro executa”, resume o texto de André Marinho.

Como resultados aos EUA a partir desse alinhamento de um eventual governo Flávio Bolsonaro, o documento de Marinho cita redução de “dependência estrutural” em relação à China, garantia de cadeias de suprimento para infraestrutura de inteligência artificial, sistemas de defesa, transição energética e mobilidade elétrica.

Para o Brasil, as vantagens alegadas seriam “avançar na cadeia de valor”, atração de “capital ocidental de longo prazo”, criação de empregos de “alta qualificação” na indústria e obtenção de influência geopolítica.

A “proposta estratégica” da parceria com os americanos teria seis pilares: aceleração de reformas na legislação minerária e de licenciamento; demanda pelos minérios brasileiros “apoiada pelos EUA” e “estabilidade de preços”; “processamento e industrialização domésticos”; união de capital americano e ativos brasileiros; posicionar o Brasil no bloco de suprimentos alinhado aos EUA, em um “clube de minerais críticos”; e enquadrar esses materiais como “ativo central de segurança nacional”.

Investimentos, empregos e impacto no PIB

Uma projeção para um horizonte de dez anos prevê potencial de investimento de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões em mineração, refino e processamento, criação de 500 mil a 1 milhão de empregos e aumento de 1,5 a 2,5 pontos percentuais no PIB.

A ligação de André Marinho com a Rockbridge

O documento traz um elemento novo e revelador sobre um possível financiamento à campanha de Flávio Bolsonaro por parte da Rockbridge Network, grupo de empresários americanos ligados ao trumpismo. André Marinho admitiu ao Amado Mundo ter analisado junto à Rockbridge a instalação de uma célula do grupo no Brasil. Foi Marinho também quem conectou à Rockbridge o empresário Pedro Sang, apontado pelo presidenciável Renan Santos como intermediário dos supostos repasses para a campanha de Flávio.

Se comprovada, a conduta poderia levar até à cassação da chapa do PL, por receber recursos de governos estrangeiros para financiamento eleitoral, o que é vedado.

As acusações feitas por Renan e aliados dele sobre o suposto dinheiro da Rockbridge à campanha de Flávio Bolsonaro já gerou reações entre aliados de Lula. O deputado Lindbergh Farias, do Rio de Janeiro, e o PT pediram ao STF a investigação do caso.