Irmão de sócia de Flávio Bolsonaro vira alvo da PF em fraude no INSS
Do ICL - A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quarta-feira (27) pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), atingiu um nome ligado ao entorno profissional do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Alexandre Caetano, alvo da operação que investiga fraudes em aposentadorias e pensões do INSS, é irmão de Letícia Caetano, administradora do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro desde 2021.
Segundo a PF, Alexandre Caetano é apontado como integrante da estrutura operacional e financeira investigada no esquema de descontos indevidos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
As investigações apontam que entidades realizavam cobranças mensais diretamente nos benefícios previdenciários sem autorização válida dos segurados. A operação desta quarta cumpre 31 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares em Pernambuco, São Paulo, Paraná e no Distrito Federal.
O nome de Alexandre Caetano já havia aparecido anteriormente na CPMI do INSS. Durante os trabalhos da comissão, ele foi apontado como sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes, considerado um dos principais operadores do esquema investigado pelas autoridades.
Os dois teriam participação em uma offshore registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, estrutura citada nos documentos analisados pela CPMI como parte da engrenagem financeira usada pelos investigados.
Na nova etapa da operação, a PF afirma que Alexandre Caetano integra o núcleo operacional e financeiro do esquema. A corporação investiga suspeitas de crimes como organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção e lavagem de dinheiro.
Além de Alexandre Caetano, a nova fase da Operação Sem Desconto também teve como alvos empresários, operadores financeiros, dirigentes de entidades associativas e ex-integrantes do INSS.
Entre os investigados citadosestão nomes ligados à gestão de associações suspeitas de realizar descontos irregulares em benefícios previdenciários.
Segundo a PF, o esquema teria movimentado recursos bilionários entre 2019 e 2024 por meio de descontos realizados sem autorização dos aposentados.
A primeira fase da Operação Sem Desconto já havia atingido ex-dirigentes do INSS, empresários e operadores suspeitos de participação no esquema. Na ocasião, investigadores apontaram a existência de uma rede estruturada para captar entidades, operacionalizar os descontos e distribuir os recursos obtidos ilegalmente.
A PF também apura o fluxo financeiro usado pelos investigados e o possível uso de estruturas empresariais no exterior para movimentação de recursos.