Fundo ligado à Refit pagou R$ 14,2 milhões para empresa da família de Ciro Nogueira, diz PF
Redação
21/05/2026
Fundo ligado à Refit pagou R$ 14,2 milhões para empresa da família de Ciro Nogueira, diz PF
G1 - A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que identificou o pagamento, em 2024, de R$ 14,2 milhões de um fundo ligado ao grupo Refit – do empresário Ricardo Magro – à empresa Ciro Nogueira Agropecuária LTDA, de familiares do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A informação foi revelada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e confirmada pela TV Globo. Ao g1, Ciro Nogueira afirmou que o pagamento foi realizado em razão da venda de um terreno de 40 hectares da empresa em Teresina (PI), onde seria construída uma distribuidora de combustíveis.
Em nota, a assessoria de Ciro afirmou que a empresa da família atua no ramo imobiliário e que, à época da transação, o senador tinha participação inferior a 1%. Declarou também que a venda foi "regular" e "declarada aos órgãos competentes" (leia a íntegra aqui).
🔎Ricardo Magro é o controlador do grupo e apontado como o líder da organização criminosa; ele teve a prisão decretada pelo STF na Operação Sem Refino por suspeita de corromper agentes públicos e usar a estrutura do governo do Rio de Janeiro para favorecer ilegalmente operações da Refit. Magro vive nos Estados Unidos e é considerado foragido.
Relatório da PF enviado ao Supremo aponta que a empresa da família de Ciro Nogueira recebeu R$ 14,2 milhões da empresa Athena Real Estate LTDA, que está vinculada ao fundo EUV Gladiator. Esse fundo, segundo a apuração da Operação Sem Refino, tem como cotista a Eurovest S.A, e adquiriu imóveis ligados ao Grupo Refit. Não há detalhes da operação, que deve ser apurada pelos investigadores.
‘Compra de terreno de 40 ha no PI’ diz Ciro Nogueira sobre R$14,2 mi transferidos
Conforme a PF, na contabilidade da empresa Athena, verificou-se que o capital social da empresa foi composto por R$ 22 milhões e que houve um movimento nas contas em favor da Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis LTDA, no valor de R$ 14,2 milhões.
"Pelo que fui informado, aqui pela empresa, uma empresa que eu não sou nem sócio, mas eles compraram uma grande área para construir uma distribuidora aqui em Teresina, uma área de R$ 14 milhões, 40 hectares na saída de Teresina, uma das áreas mais valorizadas de Teresina. E é uma área que hoje vale muito mais do que esses R$ 14 milhões. E que essa empresa ia construir, depois, ela teve uma série de denúncias, resolveu não fazer esse empreendimento", disse Ciro Nogueira sobre o negócio.
O politico do PP disse ainda esperar que o caso seja esclarecido "o mais rapidamente possível".
O senador Ciro Nogueira não foi alvo da Operação Sem Refino, mas o Supremo Tribunal Federal autorizou um mandado de buscas, cumprido pela PF, contra um ex-braço direito do senador.
O ex-assessor é Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, que, segundo a representação da PF, ocupou o cargo de Secretário Executivo da Casa Civil, quando Ciro Nogueira foi o titular da pasta no governo Jair Bolsonaro (PL). Ou seja, Jonathas Assunção era o principal auxiliar do político do PP à época.
Conforme investigações da PF, uma "empresa de passagem" ligada à Refit transferiu R$ 1,3 milhão para Jonathas Assunção.
"Os valores creditados foram rapidamente transferidos diretamente ao próprio beneficiário final JONATHAS ASSUNÇÃO SALVADOR NERY DE CASTRO, cerca de R$1.325.000,00. Tal padrão evidencia baixa permanência dos recursos na conta, típico de empresa de passagem, sem identificação de despesas operacionais compatíveis com a atividade declarada de consultoria, como folha de pagamento, estrutura administrativa relevante ou custos técnicos proporcionais aos valores recebidos" diz a PF no relatório enviado ao STF.
Leia a íntegra da nota da assessoria de Ciro
Senador Ciro Nogueira durante sessão do Senado Federal — Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Veja a seguir a íntegra da nota divulgada pela assessoria do Ciro Nogueira:
O senador Ciro Nogueira lamenta as recorrentes tentativas de associá-lo a escândalos, as quais serão inevitavelmente frustradas, uma vez que não praticou nenhum ato irregular ou ilegal.
Em relação ao caso em questão, esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis. O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado.
Ressalte-se que a empresa da família do senador atua justamente no segmento imobiliário, na compra, venda e aluguel de imóveis. Informamos, ainda, que o senador atualmente sequer detém participação na empresa e que, na época do negócio, sua participação era inferior a 1%.
O senador Ciro Nogueira manifesta sua total tranquilidade no que se refere a essas e outras insinuações. Ele destaca ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos mencionados, acusações que surgem, estranhamente, em ano eleitoral com a clara intenção de desgastar sua imagem junto ao povo do Piauí.