Fundo Eleitoral desigual pode provocar desistências e deixar candidaturas no RN apenas “para inglês ver”
A distribuição desigual do Fundo Eleitoral começa a produzir insatisfação dentro das nominatas no Rio Grande do Norte e pode ter uma consequência mais profunda do que a simples reclamação por dinheiro: candidaturas podem desistir ou permanecer formalmente na disputa, mas sem condições reais de fazer campanha. Há relatos de descontentamento em partidos como PSB, PL, PT, União Brasil e PV, justamente quando a campanha entra numa fase em que estrutura, material, equipe e presença nas ruas passam a exigir recursos.
As diferenças chamam atenção. No União Brasil, por exemplo, Benes Leocádio recebeu R$ 1 milhão, enquanto Matheus Faustino ficou com R$ 86 mil. Quando uma direção partidária concentra recursos em determinados nomes, ela também sinaliza quais candidaturas considera prioritárias. Para quem fica praticamente sem fundo, surge uma escolha difícil: desistir ou continuar apenas para cumprir tabela, compondo uma nominata que, na prática, passa a funcionar em torno de poucos candidatos competitivos.
É por isso que setembro pode revelar uma espécie de seleção natural dentro dos próprios partidos. Mais importante do que contar quantos candidatos estão registrados será observar quantos efetivamente estarão fazendo campanha. Algumas candidaturas podem desaparecer oficialmente; outras podem continuar na urna, mas apenas “para inglês ver”. A distribuição do dinheiro partidário começa a mostrar quem entrou na reta decisiva para disputar voto e quem corre o risco de participar da eleição apenas no papel.