• Redação
  • 24/05/2026

Foragido Paulo Figueiredo ameaça usar força contra jornalistas após apuração sobre Eduardo

Metrópoles - O jornalista foragido aliado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, Paulo Figueiredo, disse que poderá usar força contra jornalistas que o procurarem em sua casa na Flórida. A declaração se deu depois do fiho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acionar a polícia contra um repórter do Intercept Brasil na sexta-feira (22/5).

Figueiredo disse que profissionais da imprensa que “entrarem em minha propriedade sem convite” serão tratados sob a “Castle Doctrine”, uma doutrina jurídica aplicável no estado da Flórida que consiste em que proprietário de uma residência poderá usar a força se este se sentir ameaçado por um invasor, desde que ficar comprovada a invasão.

“Quaisquer veículos que entrarem em minha propriedade sem convite serão considerados trespassers e tratados sob a Castle Doctrine do grande estado da Flórida. Quem quiser testar a sorte, go ahead, make my day”. Depois, disse para “tentarem a sorte” ao ser questionado sobre o uso de força letal.


Entenda

Na sexta-feira, um jornalista investigativo foi até a casa de Eduardo Bolsonaro em Arlington, no Texas. Segundo Heloísa Bolsonaro, esposa do ex-deputado, o homem tocou a campainha do imóvel e foi recebido pela filha do casal, de 5 anos. O jornalista, de acordo com ela, apresentou-se e tentou confirmar se a família morava no local. Em seu relato nas redes sociais, Heloísa disse ter se recusado a responder e fechou a porta.

De acordo com relatos de Eduardo Bolsonaro em vídeo publicado no Instagram, o repórter do portal que revelou repasses milionários de Daniel Vorcaro intermediados por Flávio Bolsonaro (PL) para a produção do filme biográfico de Jair Bolsonaro teria, então, ido à casa de vizinhos para fazer perguntas sobre a rotina da família.

A polícia foi acionada, mas, ao chegar ao endereço, não encontrou o jornalista. Eduardo disse ter enviado imagens do repórter às autoridades. O Metrópoles contatou o Departamento de Polícia de Arlington (Texas) e aguarda manifestação.

Eduardo também se viu implicado nas mensagens com o dono do Banco Master, já que os R$ 61 milhões negociados teriam ido supostamente para um fundo administrado por um advogado do ex-deputado nos Estados Unidos e levantaram suspeitas de que os recursos possam estar sendo usados por Eduardo, que mora no país autoexilado desde 2025.

Eduardo disse ter registrado um boletim de ocorrência e enviado à polícia as imagens do repórter do Intercept Brasil. Na publicação, o ex-deputado alega ter se sentido ameaçado e mencionou que, no Texas, “muitas pessoas tem armas em casa”.

“Aqui no Texas muitas pessoas têm armas em casa e, normalmente, as pessoas que você recebe na sua casa são pessoas que você conhece. Não estou fazendo ameaça a ninguém, estou só falando que é uma situação totalmente grave”, declarou.

Ao Metrópoles, o Intercept Brasil disse acompanhar o caso, que inclui “ameaças, mentiras e exposição pública relacionadas ao exercício da atividade jornalística que cumpre todos os padrões éticos e profissionais”.

“Estamos acompanhando a situação envolvendo um jornalista local experiente contratado pelo Intercept Brasil para esta cobertura, incluindo ameaças, mentiras e exposição pública relacionadas ao exercício da atividade jornalística que cumpre todos os padrões éticos e profissionais. No momento, seguimos acompanhando o caso e avaliando os desdobramentos relacionados à segurança do profissional envolvido“.