Flavio Bolsonaro usa o debate sobre facções para tentar superar sua ligação com o escândalo do Banco Master e como vacina por ter homenageado Adriano da Nóbrega, chefe de uma milícia de pistolagem do RJ
A comemoração de Flávio Bolsonaro diante da decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas tem um forte componente político. O tema surge justamente quando o senador enfrenta desgaste em razão das revelações envolvendo sua proximidade com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Ao deslocar o debate para segurança pública, Flávio tenta levar a discussão para um terreno distante do seu pedido de 134 milhões de reais ao banqueiro.
A estratégia possui ainda outro efeito. Ao assumir uma postura aparente de extrema dureza contra facções criminosas, o senador procura neutralizar críticas antigas relacionadas às controvérsias envolvendo homenagens prestadas a Adriano da Nóbrega, chefe do escritório do crime, defesa de legalização de milícias e à presença de indicados do ex-policial miliciano em seu gabinete quando era deputado estadual.
O problema é que a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas está longe de ser uma questão simples. Especialistas alertam para possíveis impactos na cooperação internacional e para efeitos econômicos indesejados sobre empresas brasileiras. Os EUA podem a partir de agora intervir em empresas, sancionar pessoas e afugentar investidores do Brasil sob a alegação, mesmo que não comprovada, de ligação com facções.