• Redação
  • 22/06/2026

Flávio Bolsonaro se cala sobre nova mentira na relação com Vorcaro e pode ser alvo de ação no STF

MSn.com - Envolto em novas mentiras sobre a relação com o “irmão” Daniel Vorcaro, figura central do escândalo do Banco Master, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve virar alvo de representação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para se explicar em juízo os reiterados encontros com o banqueiro, segundo revelou o colunista Lauro Jardim, no jornal O Globo, neste domingo (21).

Segundo apuração da Fórum, lideranças do PT estudam provocar André Mendonça, relator do caso no STF, diante das novas revelações e da inação do ministro em relação à sequência de revelações que mostram a proximidade do clã Bolsonaro, especialmente de Flávio, com Vorcaro, que repassou ao menos 10 milhões de dólares à família, supostamente para financiar o filme Dark Horse.

Neste domingo, Flávio Bolsonaro defendeu a postura de Mendonça, que vem sendo acusado de blindá-lo nas investigações, em ataque à jornalista Eliane Cantanhede, que cobrou o ministro de avalizar uma ação da Polícia Federal (PF) contra o filho “01” de Jair Bolsonaro em artigo no Estadão.

“Não há absolutamente nada de errado. Pelo seu raciocínio, deveria haver busca e apreensão em cima dos donos Estadão (com o que eu não concordo)”, disparou Flávio, que voltou a mentir dizendo que “possibilidade de crime só há na relação do líder do governo e fiel escudeiro de Lula com o Augusto Lima e o Master, e não no caso do filme”.

No entanto, o senador ignorou as novas denúncias e não se explicou sobre os diversos encontros com Vorcaro, insistindo na mentira de que só manteve contato com o banqueiro em razão do suposto patrocínio ao filme sobre o pai.

Alvo da PF

Para o deputado Carlos Zarattini, as novas revelações aprofundam a gravidade do caso e “muda a história” por mostrar que a relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro “não parece mais um contato casual”.

“Em meio ao escândalo do Banco Master, Flávio precisa explicar qual era sua relação com Vorcaro e por que se reuniu mais de uma vez com ele”, cobra o parlamentar.

Vice-líder do PT na Câmara, Rogério Correia (PT-MG) cobrou Mendonça pelas revelações, que mostram “mentira atrás de mentira” de Flávio Bolsonaro.

“Notícia divulgada de outra reunião com Vorcaro e nenhum desmentido de Flávio Bolsonaro. E ele jurou que encontrou apenas uma vez para colocar ponto final nos negócios. Mentira atrás de mentira. Ministro Mendonça deve estar atento a tudo. E amanhã vem a notícia completa”, escreveu na rede X.

“Mais um encontro de Flávio Bolsonaro com Vorcaro. Já é o segundo que temos notícias. É preciso que se investigue a fundo a relação entre Flávio e o ex-banqueiro. O que eles tanto tratavam? E a pergunta que não quer calar: onde estão os milhões para o suposto filme?”, emendou Lindbergh Farias (PT-RJ) em vídeo na mesma rede X.

Novos encontros

Em sua coluna no jornal O Globo, Lauro Jardim diz que Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô de um milionário escândalo de fraudes financeiras, tiveram alguns encontros presenciais muito antes dos que o senador admitiria depois de ser desmentido.

O colunista revelou que, além da reunião de novembro de 2025 na casa do banqueiro em São Paulo (que Flávio alegava ter sido um esforço para “dar um ponto final” nas negociações de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse), os dois teriam se reunido a sós no primeiro semestre do ano passado, na mansão que Vorcaro alugava em Brasília.

A nova descoberta joga por terra a intrincada rede de negativas que o senador teceu desde o início das investigações. O histórico de recuos de Flávio impressiona pela velocidade com que as versões oficiais ruíram diante dos fatos:

A negação inicial: No começo do escândalo, Flávio afirmou categoricamente que sequer sabia quem era Daniel Vorcaro.

A desculpa do telefone: Quando veio à tona que Vorcaro possuía seu contato direto na agenda de um celular apreendido pela PF, a justificativa do senador foi a de que seu número de telefone “não era segredo em Brasília” e que qualquer um poderia tê-lo conseguido a pedido do ricaço dono do Master.

O “irmãozão” e o achaque: O verniz de desconhecidos derreteu quando o portal The Intercept Brasil vazou mensagens mostrando uma intimidade profunda. Flávio chamava o magnata de “irmãozão” enquanto, na verdade, tentava tomar R$ 134 milhões do empresário, conseguindo abocanhar “apenas” R$ 61 milhões.

A visita ao condenado: A desfaçatez ganhou contornos ainda mais graves quando se descobriu que o senador viajou de Brasília a São Paulo exclusivamente para visitar Vorcaro após a prisão do banqueiro. O encontro ocorreu com o empresário já usando tornozeleira eletrônica e cumprindo estritas medidas cautelares.

Mentiras fazem derreter nas pesquisas

pós Silas Malafaia abandonar Flávio Bolsonaro (PL-SP), dizendo que não passa a mão na cabeça de “corrupto de direita“, foi a vez do bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, largar a mão do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) e defender abertamente o nome de Michelle Bolsonaro para substituir o candidato como representante do clã na chapa presidencial.

Rodovalho, que visitou Bolsonaro na prisão e substituiu Malafaia como conselheiro do ex-presidente após rusgas com o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), explicou o derretimento de Flávio nas pesquisas após o caso Master pelas mentiras ditas pelo senador sobre a relação com Daniel Vorcaro.

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“Acho que foram duas questões. A primeira delas, o vazamento da conversa com o Daniel Vorcaro, e ele ter dito antes que não tinha nenhuma relação com o banqueiro. Está custando muito caro para o Flávio isso. O evangélico pensa: às vezes é melhor votar num candidato que não é cristão do que um que diz ser, mas não mantém a coerência”, afirmou ao ser indagado por Thiago Prado sobre as pesquisas, em entrevista ao jornal O Globo nesta sexta-feira (19).

Rodovalho, que já aclamou Michelle como “grande líder” após visita ao ex-presidente, disse que pior que a revelação da relação íntima com Vorcaro, foram as mentiras ditas pelo senador sobre o caso.

Evangélico é intransigente com mentira. A pior coisa que tem é uma coisa ser dita e a realidade ser outra. Ele deveria ter falado sobre o assunto desde o início”, afirmou, ressaltando que se o dinheiro é privado e para o filme não teria razões para mentir.

O bispo defendeu que Flávio Bolsonaro abra “imediatamente as contas de Dark Horse para tentar estancar a debandada evangélica e tentar reverter o quadro diante das mentiras em série.

“Ele está perdendo a confiança do segmento, as pessoas estão achando que, se mentiu desta vez, pode mentir na próxima. O copo de cristal trincou, e ele vai precisar reconhecer isso. Mostrar arrependimento, pedir desculpas. Não dá para ficar camuflando o assunto, achando que o tempo vai fazer os evangélicos esquecerem porque o Lula tem mais escândalos”, disse.