Flávio Bolsonaro rebate defesa de Lula de ‘fim das bets’ e diz que é possível ter controle
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) se posicionou nesta quarta-feira (23) contra o fim das apostas esportivas no Brasil, em contraposição à ofensiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra as bets. O candidato do PL defendeu uma distinção entre apostas em eventos esportivos e cassinos online e afirmou que pretende acabar apenas com a segunda modalidade.
A posição foi apresentada durante uma transmissão ao vivo com aliados, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB). Apesar de afirmar ser contrário a jogos, Flávio sinalizou que manteria as apostas esportivas por considerar que elas permitem maior controle.
“Sou contra jogos, de qualquer forma, mas aposta em jogos reais, no jogo de futebol, no jogo de vôlei, no jogo de tênis, você tem alguma forma de controle. Temos a Mega-Sena, tem um monte de jogos que são legalizados. O problema é o cassino online”, afirmou.
Flávio concentrou as críticas nos chamados cassinos online, como o “Jogo do Tigrinho”. “É o tigrinho que está arrombando com todo mundo, que está deixando todo mundo endividado. O cassino online tem que acabar”, disse. O candidato também acusou Lula de ser responsável pela expansão do setor e chegou a atribuir ao presidente as dívidas contraídas por apostadores: “Essa dívida sua com o Tigrinho é culpa do Lula”.
A tentativa de concentrar no atual governo a responsabilidade pela expansão das apostas, porém, omite parte da trajetória da legislação brasileira. As apostas esportivas de quota fixa foram legalizadas em 2018, no governo Michel Temer (MDB). A lei estabeleceu prazo de até quatro anos para a regulamentação, período que terminou em dezembro de 2022, ao fim do governo Jair Bolsonaro (PL), sem que o processo tivesse sido concluído.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). (Foto: Reprodução)
O discurso de Flávio ocorre justamente quando Lula elevou o combate às apostas a tema de sua campanha pela reeleição. O petista declarou que, se depender de sua vontade, as bets serão proibidas no país e tem usado relatos de pessoas afetadas pelo vício em jogos em sua propaganda eleitoral. O governo também discute novas restrições ao setor.