• Redação
  • 25/05/2026

Flavio Bolsonaro na casa de Vorcaro

Celso Rocha de Barros, Folha

Flá­vio Bol­so­naro foi visi­tar o dono do Banco Mas­ter. Pou­cos dias antes da visita, Daniel Vor­caro havia saído da cadeia com tor­no­ze­leira ele­trô­nica. No dia segu­inte à visita, segundo o jor­na­lista Igor Gade­lha, do por­tal Metró­po­les, Flá­vio foi anun­ci­ado como can­di­dato à Pre­si­dên­cia da Repú­blica.

O que explica esse deli­very de polí­tico gol­pista na casa de um ban­queiro ladrão? A única con­clu­são que não ofende os fatos nem a lógica é que Flá­vio foi a Vor­caro dis­cu­tir sua situ­a­ção diante de um escân­dalo que os dois sabiam que seria gigante.

Com toda pro­ba­bi­li­dade, Flá­vio foi ao encon­tro de Vor­caro já sabendo que seria can­di­dato a pre­si­dente. A maté­ria de capa da Folha sobre o anún­cio da can­di­da­tura (publi­cada no dia 6 de dezem­bro) regis­tra que ali­a­dos do bol­so­na­rismo já haviam sido avi­sa­dos antes do anún­cio ofi­cial.

Flá­vio tam­bém sabia que estava envol­vido até o pes­coço no caso Mas­ter. Sabia que tinha rece­bido R$ 60 milhões dos R$ 130 milhões que Vor­caro lhe havia pro­me­tido. Sabia que havia tro­cado men­sa­gens alta­mente com­pro­me­te­do­ras com o chefe do esquema Mas­ter. Sabia que os gover­na­do­res bol­so­na­ris­tas haviam entre­gado bilhões de dinheiro público ao Banco Mas­ter. Sabia que seus ali­a­dos Ciro Nogueira (PP-PI) e Filipe Bar­ros (PL-PR) haviam apre­sen­tado pro­je­tos no Con­gresso para ten­tar sal­var o banco, pro­je­tos que teriam que­brado a eco­no­mia bra­si­leira. Sabia que seu PL havia reque­rido urgên­cia para o pro­jeto que per­mi­ti­ria ao Con­gresso afas­tar dire­to­res do BC que votas­sem con­tra o Mas­ter.

Fazia sen­tido Flá­vio se lan­çar can­di­dato a pre­si­dente sabendo que logo esta­ria no cen­tro do maior escân­dalo finan­ceiro da his­tó­ria bra­si­leira?

Sim, mas só se você acei­tar a segu­inte hipó­tese: Flá­vio Bol­so­naro foi à casa do dono do Mas­ter pro­por um acordo. Vor­caro não abri­ria o bico sobre suas rela­ções car­nais com o bol­so­na­rismo, e Flá­vio o sal­va­ria quando fosse eleito pre­si­dente da Repú­blica.

O acordo expli­ca­ria a tran­qui­li­dade com que Flá­vio falava do Mas­ter até ser pego pela polí­cia e denun­ci­ado pelo Inter­cept Bra­sil. Expli­ca­ria a tran­qui­li­dade com que Vor­caro pro­põe dela­ções pre­mi­a­das que não entre­gam nin­guém, como se esti­vesse ganhando tempo con­tando com uma blin­da­gem futura. Expli­ca­ria a atu­a­ção de Flá­vio para der­ru­bar, junto com Alco­lum­bre e Moraes, a can­di­da­tura de Jorge Mes­sias ao STF; expli­ca­ria o deses­pero do bol­so­na­rismo para empla­car uma CPI do Mas­ter que só vá atrás dos mem­bros do Supremo enro­la­dos.

Ainda não há pro­vas de que o acordo ocor­reu. Mas desa­fio o lei­tor a me apre­sen­tar outra inter­pre­ta­ção plau­sí­vel da visita de Flá­vio Bol­so­naro a Vor­caro, nas cir­cuns­tân­cias em que ela ocor­reu. Se eu esti­ver errado sobre o que acon­te­ceu naquele dia, a deci­são de Flá­vio de se lan­çar can­di­dato mesmo sabendo de seus vín­cu­los com o Mas­ter me parece inex­pli­cá­vel.

Flá­vio, é claro, diz que não foi nada disso. Diz que foi encon­trar Vor­caro pes­so­al­mente para encer­rar sua, diga­mos, par­ce­ria artís­tica com o ban­queiro pele­leco. Se você acre­dita nisso, o Mas­ter tem uns CDBS para te ven­der.

Vai ficando claro o motivo de Flá­vio Bol­so­naro tra­tar o dono do Mas­ter como irmão. Sua única chance de dei­xar de ser o filho mais enro­lado com a Jus­tiça seria Jair ado­tar Vor­caro.

A única con­clu­são que não ofende os fatos nem a lógica é que Flá­vio foi a Vor­caro dis­cu­tir sua situ­a­ção diante de um escân­dalo que os dois sabiam que seria gigante