Fátima e Cadu precisam parar de tripudiar dos derrotados e vestir as sandálias da humildade para angariar apoios no segundo turno
Fátima Bezerra e Cadu Xavier erram ao transformar a vitória eleitoral em oportunidade para tripudiar dos derrotados. Em entrevista no domingo, os dois fizeram ataques aos adversários justamente quando deveriam sinalizar humildade e diálogo. Fátima obteve uma vitória política importante como escrevi aqui ainda ontem (4): elegeu uma senadora e colocou Cadu no segundo turno. Mas o resultado para o Senado ocorreu numa equação muito específica. A divisão de votos poderia ter beneficiado a direita e, com um candidato mais competitivo que Coronel Hélio, o bolsonarismo poderia ter conquistado as duas vagas.
O problema é que Cadu entra agora em outra eleição. Para vencer o segundo turno, precisa conquistar parte dos eleitores que votaram em Álvaro Dias, uma candidatura de oposição o que aumenta o desafio, além de ampliar sua rede de apoios políticos. Não é hora, portanto, de apontar dedos ou alimentar a imagem de soberba que setores da classe política potiguar há anos atribuem ao PT. Segundo turno exige exatamente o contrário: agregar, conversar com antigos adversários e oferecer razões para que quem não votou em Cadu no primeiro turno passe a fazê-lo.
Há ainda um componente nacional que recomenda cautela. Se o cenário desenhado pelas urnas no país se confirmar, Rogério Marinho, que já exerce enorme influência sobre a política potiguar, poderá acumular um poder ainda maior no Rio Grande do Norte. Diante disso, Fátima e Cadu deveriam compreender que a vitória do primeiro turno foi importante, mas insuficiente. A eleição ainda não acabou. É hora de guardar a comemoração, vestir as sandálias da humildade e começar a angariar os apoios necessários para vencer o segundo turno.