Falta de hormônios compromete atendimento à população trans no Rio Grande do Norte
Pacientes atendidos pelo Ambulatório Trans Murilo Gonçalves, em Natal, denunciam que a falta de hormônios, a escassez de profissionais e problemas estruturais têm comprometido a continuidade dos tratamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo relatos, o serviço atende cerca de 600 pessoas de todo o estado, mas atualmente conta com apenas uma médica, o que tem provocado atrasos em consultas e dificuldades no acompanhamento clínico.
De acordo com os usuários, o principal problema é o desabastecimento do medicamento utilizado na hormonização de homens trans, cuja reposição estaria pendente há cerca de dez meses. Sem acesso ao tratamento pelo SUS, muitos pacientes afirmam que precisaram interromper a hormonização ou arcar com despesas de centenas de reais para comprar os medicamentos na rede privada. Também foram relatadas dificuldades para realizar exames e obter atendimento durante períodos de afastamento da única profissional responsável pelo ambulatório.
Os pacientes cobram da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) a regularização do fornecimento de hormônios, o reforço da equipe de atendimento e melhorias na estrutura do serviço. Procurada pela reportagem, a pasta ainda não havia apresentado posicionamento até a publicação da matéria.