Ex-presidente do BRB deve citar Ibaneis e Celina Leão em delação do caso Master
As negociações ainda estão em fase preliminar, mas já indicam que Costa pretende apresentar um conjunto robusto de informações às autoridades. Segundo relatos iniciais, o ex-dirigente elencou cerca de 20 episódios considerados irregulares, incluindo operações classificadas como heterodoxas e possíveis esquemas de fraude. Ele também teria se comprometido a apresentar provas relacionadas aos fatos e aos envolvidos.
Ibaneis Rocha e Celina Leão podem ser citados
Entre os nomes que podem ser citados na eventual delação estão figuras centrais da política do Distrito Federal. O ex-governador Ibaneis Rocha aparece entre os mencionados, enquanto a atual governadora Celina Leão surge como possível novidade na lista.
Além deles, o material preliminar incluiria referências a um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), um dirigente partidário ligado ao Centrão, servidores do Banco Central e deputados distritais. Parlamentares federais, por ora, não estariam entre os citados.
Prisão mantida pelo STF impulsiona negociação
A iniciativa de colaborar com as investigações foi formalizada após a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidir manter a prisão preventiva de Costa. Em petição encaminhada ao ministro relator André Mendonça, a defesa informou a intenção de contribuir com as apurações “possivelmente por meio de colaboração premiada”.
Os advogados também solicitaram a transferência do ex-presidente do BRB do Complexo da Papuda para outro local, alegando necessidade de garantir confidencialidade nas conversas e viabilizar a análise de provas e documentos. Segundo a defesa, o ambiente atual dificultaria o exercício pleno do direito à autodefesa e a preparação técnica da colaboração.
“Game over”
Paralelamente, decisões recentes do próprio relator impactaram o andamento político do caso. Em abril, Mendonça desobrigou Ibaneis Rocha de comparecer à CPI do Crime Organizado, convertendo a convocação em comparecimento facultativo, com base no direito de não produzir provas contra si mesmo.
A CPI havia aprovado a oitiva com base em investigações que envolvem relações comerciais e decisões institucionais ligadas ao BRB.
A possível delação já provoca reações no cenário político do Distrito Federal. O pré-candidato ao governo Ricardo Cappelli comentou o caso em publicação feita nas redes sociais neste domingo (3).
“Game over. Eles envolveram o BRB em fraudes bilionárias e agora tentam dizer que não sabiam de nada. Quebraram o banco. Quebraram o GDF. Precisam ser afastados imediatamente. Só assim o BRB poderá ser salvo. Banco vive de credibilidade. Tudo que eles não têm”, afirmou.
Fraudes podem chegar a R$ 12,2 bilhões
O caso Master envolve suspeitas de fraudes estimadas em até R$ 12,2 bilhões, relacionadas à criação e negociação de ativos considerados fictícios. De acordo com o relator, há indícios de crimes como gestão fraudulenta, corrupção, lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa.
As investigações também apontam para o uso de empresas de fachada com o objetivo de ocultar patrimônio. Ao manter as prisões, o ministro André Mendonça destacou a gravidade dos fatos e o risco de interferência nas investigações, incluindo possível destruição de provas.
As negociações para a colaboração premiada seguem em curso e dependem de validação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal.