Em contradição monumental, Rogério Marinho tenta terceirizar escândalo do Master enquanto crise explode no colo de Flávio Bolsonaro, de quem é coordenador político de campanha
É uma contradição monumental ver Rogério Marinho tentar atribuir ao governo Lula qualquer centralidade no caso do Banco Master quando o principal rosto político atingido pelo escândalo é justamente Flávio Bolsonaro, de quem Rogério é aliado, coordenador político e parceiro estratégico. O próprio Flávio foi exposto após pedir R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para um fundo ligado ao seu irmão. Não se trata de narrativa da esquerda ou de disputa interpretativa: o epicentro político do caso atingiu diretamente o núcleo do bolsonarismo. Quando Rogério tenta deslocar, em publicação na Tribuna do Norte, o foco para Lula, ele parece ignorar que a crise saiu de dentro do seu próprio campo político. O discurso do “capitalismo de compadrio”, que ele solenemente alega, perde completamente a credibilidade quando é vocalizado por quem lidera o partido e o grupo político mais atingido pelas revelações envolvendo Vorcaro.
A incoerência aumenta quando se observa a profunda capilaridade que o Banco Master construiu justamente entre figuras da direita e do Centrão. Ciro Nogueira, colega de ministério de Rogério no governo Bolsonaro, também apareceu no entorno político da crise. Além disso, foram justamente governos estaduais e prefeituras alinhados ao bolsonarismo e ao Centrão que direcionaram recursos públicos e fundos previdenciários ao banco, acumulando perdas e exposição financeira. A essa altura, já não há mais como vender a ideia de que o Master era um “banco do lulismo”. O caso revelou, na prática, um circuito político-financeiro profundamente conectado às elites conservadoras, ao Centrão e ao ecossistema bolsonarista. Rogério tenta construir uma narrativa ideológica para esconder um problema que nasceu dentro de casa.
Há ainda outra ironia incontornável: o Banco Master cresceu e operou durante a gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro. Foi sob o comando de Campos Neto que o banco expandiu suas operações e consolidou sua presença no sistema financeiro. Já o processo que levou ao sufocamento institucional do Master ocorreu sob a presidência de Gabriel Galípolo. Ou seja: enquanto Rogério tenta transformar o episódio em arma contra Lula, os fatos mostram exatamente o contrário. O banco floresceu na era Bolsonaro e encontrou resistência efetiva apenas depois. O discurso oposicionista do líder do PL parece cada vez menos análise política e cada vez mais uma tentativa desesperada de desviar o foco do desgaste que atingiu em cheio a direita brasileira.