• Redação
  • 08/10/2026

E se Janja virasse evangélica? O pragmatismo amoral da direita que a esquerda não reproduz

A relação da direita com o eleitorado evangélico revela um pragmatismo político que frequentemente ignora qualquer coerência moral. Flávio Bolsonaro, associado a hábitos como o uso de vape e o consumo de álcool, além de ter sua vida privada cercada de controvérsias com orgias, agora se apresenta como evangélico em plena disputa eleitoral. A questão não é sua vida pessoal, mas a conveniência política de uma identidade religiosa assumida justamente quando ela pode render votos. A fé, nesse contexto, corre o risco de virar instrumento de marketing eleitoral.

A esquerda brasileira, por sua vez, mantém uma relação mais ideológica com a religião, mesmo quando isso lhe custa apoio eleitoral. Se adotasse o mesmo pragmatismo da direita, Janja, por exemplo, poderia anunciar uma conversão evangélica para aproximar Lula desse eleitorado. Não o faz. A diferença é reveladora: enquanto setores da direita parecem dispostos a adaptar até a identidade religiosa às necessidades das urnas, a esquerda demonstra maior resistência a transformar a fé em ferramenta de conveniência eleitoral. Isso não significa ausência de cálculo político na esquerda, mas evidencia estratégias distintas de relacionamento com a religião.