• Redação
  • 25/08/2026

Duas hipóteses metodológicas sobre a pesquisa Quaest no RN

Dois aspectos metodológicos da pesquisa Quaest no RN me deixaram curioso. Ainda falta analisar a estratificação completa da amostra, que o instituto tem até hoje para publicar, mas levanto duas hipóteses, e faço a ressalva fundamental: hipóteses não são verdades. Precisariam ser testadas para sabermos se efetivamente influenciaram os resultados.

A primeira envolve a ordem das perguntas. Antes da estimulada eleitoral, a Quaest pergunta, nome por nome, se o entrevistado conhece os candidatos. Minha hipótese é que isso pode ajudar a explicar todos os percentuais baixos, especialmente para o Senado: ao perceber que desconhece boa parte dos nomes, o eleitor pode ficar menos propenso a declarar uma escolha logo depois. É um possível efeito de contexto. No RN, os institutos locais costumam colocar a estimulada logo após a espontânea, procedimento também adotado pelo Datafolha. Pela minha experiência aplicando questionários em campo, considero essa hipótese bastante plausível.

A segunda questão é a ponderação pelo voto na eleição anterior, utilizada pela Quaest, mas não por Datafolha, Ipec nem pelos institutos locais, que normalmente ponderam por região, sexo, idade, escolaridade e renda. Cabe investigar se esse ajuste pode criar um ambiente relativamente mais favorável ao eleitorado do campo vencedor da eleição anterior: no RN, Fátima Bezerra venceu em primeiro turno em 2022 contra Fábio Dantas e Styvenson. Isso não significa que tenha ocorrido favorecimento. Não há aqui nenhuma relação com isso. É apenas outra hipótese a ser testada. Afinal, questionário e ponderação são escolhas metodológicas legítimas, mas escolhas metodológicas também podem produzir consequências sobre os resultados.