• Redação
  • 18/08/2026

Dois pesos e dois respiradores na pandemia: o caso que o bolsonarismo do RN explora e a Operação Rebotalho que prefere esquecer

O bolsonarismo do RN explorou à exaustão a compra frustrada de respiradores pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia. O Estado repassou cerca de R$ 4,9 milhões por equipamentos que não foram entregues. O que quase nunca aparece nessa narrativa é que o próprio Governo do RN adotou medidas contra os fornecedores para recuperar o dinheiro. Posteriormente, o MPRN arquivou a investigação contra Fátima Bezerra por não identificar dolo ou culpa, e o Estado conseguiu reaver judicialmente cerca de R$ 3,56 milhões.

Bem diferente é o silêncio sobre a Operação Rebotalho, deflagrada em 2021 por PF, CGU e MPF para investigar a compra de 20 respiradores por R$ 2,16 milhões pela Prefeitura de Natal, na gestão Álvaro Dias. Segundo a CGU, havia equipamentos usados, defeituosos e até anteriormente considerados obsoletos ou inservíveis. O órgão estimou prejuízo potencial de R$ 1,43 milhão. O MPF acabou denunciando membro da gestão e um empresário.

A diferença de tratamento é reveladora. No caso do Governo Fátima, respiradores viraram durante anos sinônimo de escândalo, mesmo sem responsabilização da governadora. Quando uma operação federal atingiu uma compra realizada pela gestão de Álvaro, o assunto praticamente desapareceu do repertório da direita potiguar. Não significa atribuir a Álvaro crimes pelos quais ele não foi denunciado, óbvio; mas apontar a evidente diferença de régua política.

E a Rebotalho ainda produziu desdobramentos judiciais em 2026. A ação decorrente da operação enfrentou uma longa disputa sobre provas anuladas pelo TRF-5, e o STF impediu sua revalidação automática. O processo segue. O contraste permanece: quando respiradores servem para atingir Fátima, o bolsonarismo faz barulho; quando o caso envolve uma gestão aliada, falta ar para falar da Rebotalho.