• Redação
  • 24/07/2026

Disputa sobre Rafael Motta expõe troca geracional em curso no comando do PT potiguar

A disputa interna em torno do apoio à eventual candidatura de Rafael Motta pelo PT já extrapola a discussão eleitoral e revela uma mudança geracional em andamento dentro do partido no Rio Grande do Norte. Nas últimas décadas, a condução política da legenda esteve concentrada, sobretudo, nas lideranças de Fátima Bezerra e Fernando Mineiro, protagonismo conquistado legitimamente por meio das instâncias internas da sigla. Agora, porém, a deputada federal Natália Bonavides emerge como uma liderança com capacidade própria de influenciar os rumos estratégicos do partido, especialmente pela forte conexão com a militância petista.

A manifestação pública da corrente política ligada a Natália contra o apoio a Rafael Motta sinaliza que esse novo polo de influência está disposto a disputar os principais debates internos do PT. Esse posicionamento também dialoga com o cenário eleitoral futuro: Rafael é visto como um potencial adversário de Natália na disputa pela Prefeitura de Natal em 2028. Ao mesmo tempo, a senadorável Samanda Alves, aliada de Natália, também teria interesse direto na definição da estratégia para o Senado sem Motta, já que ele divide seus votos. Ainda que Rafael Motta venha a ser confirmado na chapa do PT, o episódio indica que a discussão já não envolve apenas uma candidatura específica, mas também quem exercerá a liderança política do partido nos próximos anos.

O chamado "encontro de tática" do PT deve acontecer hoje com a homologação da aliança do PT com o PDT de Rafael Motta.

INDICATIVO SOBRE 2026

Ao lançar dois candidatos ao senado, assim como 2022 - inclusive com o mesmo Rafael Motta -, o PT deixa claro que sua meta é o governo, estando disposto a sacrificar a luta pelo senado. É justamente isto que o grupo de Samanda percebe e combate em tentativa de enfraquecer o apoio a candidatura de Rafael Motta dentro do PT.

SOBRE 2022 - O PRESENTE QUE REVELA O PASSADO

A celeuma em torno de Rafael Motta revela, além disso, que em 2022 o campo progressista deu a vitória de Rogério Marinho de barato, secundarizando o pleito de Carlos Eduardo Alves. Intencional ou não, o próprio Motta fez certo bate-bola com Marinho. Foi um erro estratégico grave que deu ao bolsonarismo o líder da oposição no senado.