• Redação
  • 08/05/2026

Diretor da PF diz que operação contra Ciro não foi resposta à delação de Vorcaro

SBT News - O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse nesta sexta-feira (8) que a quinta fase da operação Compliance Zero, que apura as fraudes do Banco Master, não foi uma resposta à delação de Daniel Vorcaro, que, como apurou SBT News, foi mal avaliada pelos investigadores da corporação.

A proposta de colaboração foi entregue na terça (5), dois dias antes da operação deflagrada pela PF, que teve entre os alvos o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, citado por Vorcaro como “amigo da vida".

“Não fazemos nenhuma ação pensando em pressionar para obter algum resultado. A apresentação [da investigação] já tem algum tempo, mas a decisão pelo cumprimento foi ontem. Isso não guarda nenhuma relação entre um fato e outro”, declarou Rodrigues durante evento de formatura de novos agentes da Polícia Federal em Brasília.

Andrei Rodrigues foi questionado ainda sobre o futuro do processo contra Vorcaro caso a PF não aprove o acordo de colaboração premiada.

Ele disse desconhecer os termos da delação, mas lembrou que ela “precisa cumprir vários requisitos” para ser validada. “Se não atender esses requisitos, não é validada e o processo segue seu curso”, pontuou.

A PF mostrou, na operação dessa quinta (7), que tem material suficiente para deflagrar novas operações e que Vorcaro precisa trazer mais detalhes que a corporação ainda não tenha para que a delação seja homologada. A relação com Ciro Nogueira, por exemplo, não estaria esmiuçada na proposta da defesa do banqueiro, segundo apurou a reportagem.

Retorno de delegados cedidos

O diretor da PF também comentou sobre a intenção do presidente Lula (PT) de reconvocar todos os delegados cedidos a outros órgãos. Segundo ele, são cerca de 150.

Rodrigues lembrou que há agentes que atuam como secretários de Segurança Pública nos Estados, além daqueles lotados em ministérios e gabinetes de ministros. “Não me parece razoável que tenhamos esses delegados retirados da função", avaliou.

O ministro da Justiça, Wellington César Lima, declarou que enviou ao diretor-geral um pedido de explicações sobre as atividades prestadas por cada policial.

“Depois, será feito um exame sobre quais atividades são convergentes com as atribuições da Polícia Federal, especialmente no combate ao crime organizado e à segurança pública”, completou.

A ideia de exigir o retorno de delegados cedidos foi mencionada pela primeira vez por Lula em evento em 23 de abril. Na ocasião, ele disse que pediu ao Ministério da Justiça que convidasse todos os delegados "que estão fora da da Polícia Federal" para retornar aos seus postos com o objetivo de reforçar o combate ao crime organizado.