• Redação
  • 26/10/2026

Derrota de Flávio Bolsonaro impede imunidade presidencial e deixa senador exposto a três investigações da PF

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula neste domingo (25) teve consequências que vão além da política. Segundo reportagem da jornalista Natália Portinari, do UOL, o senador perdeu a oportunidade de obter a imunidade presidencial que impediria, durante o mandato, seu processamento por crimes sem relação com o exercício da Presidência. Flávio é investigado em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), dois deles envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro. Sem a proteção presidencial, as investigações poderão avançar até eventuais denúncias.

Uma das investigações envolve o advogado Willer Tomaz e movimentações financeiras consideradas atípicas pelo Coaf, que identificou R$ 1,3 milhão nas contas de Flávio em 2024, valor 7,19 vezes superior ao esperado para sua renda declarada. A Polícia Federal também examina R$ 13,7 milhões em notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia do senador desde 2023. Outro inquérito apura negociações de R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Segundo a PF, pelo menos R$ 61 milhões foram repassados por Vorcaro em 2025, sob suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O terceiro inquérito investiga uma possível calúnia contra Lula em publicação feita pelo senador. Flávio deixará o Senado em janeiro de 2027, mas poderá continuar respondendo no STF por fatos relacionados ao exercício do mandato. O senador nega irregularidades na negociação do filme e afirma ter procurado Vorcaro como investidor privado. A defesa de Willer Tomaz também contesta informações da investigação. Até o momento, as apurações não representam condenação, mas a derrota eleitoral elimina uma proteção constitucional que poderia adiar eventuais processos criminais.