• Redação
  • 09/10/2026

Defesa de Vorcaro desconhece áudio; PF e PGR desmentem relato da Veja sobre Lula

O advogado Daniel Bialski, responsável pela defesa de Daniel Vorcaro, afirmou ao ICL Notícias nesta sexta-feira (9) que desconhece a gravação e as acusações atribuídas ao ex-banqueiro pela revista Veja sobre um suposto financiamento irregular de um documentário a respeito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações ocorrem no mesmo dia em que a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) divulgaram notas oficiais negando que Vorcaro tenha prestado o depoimento descrito na publicação.

“Desconheço a gravação e desconheço o teor dessa história”, afirmou Bialski à coluna.

O advogado também negou ter recebido ou mantido sob sua guarda o suposto HD e os anexos relacionados às acusações. Segundo ele, Vorcaro não prestou nenhum novo depoimento à Polícia Federal ou a qualquer outro órgão sobre o assunto.

“Eu não estava na defesa do Daniel Vorcaro quando foram apresentadas as propostas de colaboração e, o que posso afirmar é que ele não prestou nenhum novo depoimento à Polícia Federal ou qualquer outro órgão discorrendo sobre isso”, declarou.

Bialski acrescentou que não possui e nunca possuiu o HD do telefone nem os anexos mencionados no caso. Também destacou que o local onde Vorcaro está preso não permite a entrada de dispositivos eletrônicos.

Questionado sobre possíveis providências para esclarecer a origem da gravação e sua divulgação, o advogado afirmou que a defesa ainda pretende conversar com o ex-banqueiro.

“Vamos falar com o cliente para ver isso e aí agir”, disse.

PF nega recebimento de depoimento e documentos

Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira, a Polícia Federal contestou diretamente a existência de um depoimento com o conteúdo atribuído a Vorcaro pela Veja.

“Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”, afirmou a corporação.

A PF também informou que as propostas de colaboração premiada apresentadas pelo ex-banqueiro foram rejeitadas por não atenderem aos requisitos legais.

Além do esclarecimento, a instituição confirmou ter recebido, nesta sexta-feira, uma notícia-crime com pedido de providências urgentes para apurar fatos relacionados à publicação. O expediente foi encaminhado à área técnica responsável pelas providências de polícia judiciária.

PGR confirma que nunca ouviu Vorcaro

A Procuradoria-Geral da República também divulgou um esclarecimento oficial, às 11h29 desta sexta-feira, informando que não houve depoimento oral de Vorcaro durante as negociações de colaboração premiada.

“Não houve interlocução direta de Vorcaro com qualquer representante da PGR”, afirmou o órgão.

Segundo a Procuradoria, todas as tratativas foram conduzidas por advogados contratados pelo ex-banqueiro. As propostas foram recebidas conforme apresentadas pela defesa, sem recusas antecipadas, mas a colaboração acabou rejeitada.

“Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa”, acrescentou a PGR.

O órgão ressaltou que o procedimento de colaboração está protegido por sigilo legal e não detalhou o conteúdo dos documentos apresentados pelos antigos advogados.

Acusações surgem às vésperas do segundo turno

A controvérsia começou após a Veja divulgar declarações atribuídas a Vorcaro sobre um suposto repasse irregular de recursos para a produção de um documentário sobre Lula. A publicação relacionou as acusações às tentativas de colaboração premiada do ex-banqueiro.

O material veio a público a pouco mais de duas semanas do segundo turno da eleição presidencial, disputado por Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A divulgação provocou reação do presidente nacional do PT, Edinho Silva, que classificou as acusações como politicamente motivadas e questionou a ausência de provas.

As manifestações oficiais da PF e da PGR, somadas às declarações da atual defesa de Vorcaro, colocam em discussão a origem e o contexto das gravações divulgadas. A Polícia Federal nega ter recebido o material descrito pela revista, enquanto a Procuradoria confirma que não houve depoimento oral do ex-banqueiro. Já Bialski afirma desconhecer tanto a gravação quanto o teor das acusações.

A autenticidade do áudio, as circunstâncias em que foi produzido e a existência de documentos que comprovem os supostos pagamentos ainda não foram esclarecidas publicamente.