Cunha reclamou de emenda atribuída a Nikolas, diz PF
Uma conversa entre o ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos) e a servidora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, mostra o ex-presidente da Câmara reclamando que uma emenda parlamentar destinada a Minas Gerais estaria sendo atribuída, incorretamente, ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O conteúdo revela o incômodo de Cunha com o fato de que Nikolas, seu adversário político, estaria sendo beneficiado pela medida. Isso porque, na verdade, o ex-presidente da Câmara queria agraciar o deputado federal Gilberto Abramo, do Republicanos de Minas.
O diálogo faz parte da investigação da Polícia Federal reproduzida na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que bloqueou R$ 6,15 milhões em bens de Cunha por suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares.
Na troca de mensagens, de 12 de setembro de 2025, Cunha escreve: "Tou com um problema lá em uma das emendas de Manhuaçu que o pessoal lá é inimigo e estão dizendo que é do Nikolas". Em seguida, afirma que precisava de um ofício do deputado federal Gilberto Abramo (Republicanos-MG) para comprovar outra autoria da emenda. Caso contrário, diz, seria necessário trocar o destino dos recursos.
Segundo a Polícia Federal, embora estivesse sem mandato desde 2016, Cunha tratava diretamente da destinação de emendas com Mariângela Fialek, servidora responsável pela operacionalização dos recursos na Câmara dos Deputados.
Para os investigadores, esse é um dos indícios de que o ex-deputado continuava interferindo na distribuição de verbas parlamentares mesmo sem exercer cargo eletivo.
Três dias depois, Cunha volta a falar sobre o caso e decide retirar a emenda de Manhuaçu.
"Trocar Manhuaçu por essas para acabar com a confusão", escreveu ao indicar novos municípios que deveriam receber os recursos. Tuca responde: "Já tirei".
Para a PF, a sequência das mensagens indica que o ex-presidente da Câmara conseguia alterar o destino das emendas mesmo sem mandato.
Na decisão, Flávio Dino afirma que há indícios de que Cunha mantinha influência sobre a destinação de emendas parlamentares por meio de Mariângela Fialek.
Segundo a investigação, o ex-deputado controlava uma "cota informal" de recursos, definindo municípios e alterando beneficiários, apesar de não integrar mais o Congresso Nacional.
Em nota enviada ao SBT News, Eduardo Cunha negou irregularidades. "Apenas pedi em algum momento, através do líder do partido, que era um deputado de Minas, que atendesse a algumas demandas. Diretamente não fiz qualquer indicação", afirmou.