Cotado para assumir a Fazenda de Lula, governador do Piauí faz defesa do equilíbrio fiscal e provoca debate no PT
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), apontado como um dos principais nomes para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula, fez uma defesa pública do equilíbrio fiscal nesta segunda-feira (2). Ao anunciar a permanência de Emílio Joaquim de Oliveira Júnior no comando da Fazenda estadual, Fonteles destacou os indicadores econômicos do Piauí e comemorou os resultados de sua administração. Segundo o governador, o estado lidera o país em investimentos públicos proporcionais à receita, possui avaliação B+ do Tesouro Nacional e mantém as despesas com pessoal em aproximadamente 38% da receita.
De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, a possível escolha de Fonteles para comandar a economia federal vem provocando divergências dentro do PT. Enquanto setores do mercado financeiro demonstram simpatia por seu perfil, integrantes do partido temem que sua indicação represente uma política mais rigorosa de contenção de despesas. O governador, por sua vez, sustenta que responsabilidade fiscal e ampliação das políticas sociais não são objetivos incompatíveis. Em entrevista ao jornal, afirmou que Lula deverá conciliar as duas agendas, preservando os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral.
A discussão ocorre em um momento decisivo para a definição da política econômica do próximo governo. Embora exista concordância na equipe econômica sobre a necessidade de perseguir as metas fiscais, permanecem divergências quanto à intensidade dos ajustes. No Piauí, Fonteles adotou uma regra para limitar o crescimento das despesas estaduais durante dez anos, após o aumento do déficit primário. Sua eventual chegada à Fazenda poderá sinalizar a orientação econômica do novo mandato de Lula, especialmente na relação entre controle das contas públicas, investimentos e manutenção dos programas sociais. Até o momento, entretanto, não há confirmação oficial de sua indicação.