• Redação
  • 30/10/2026

Com a relatoria do caso do INSS, Mendonça voltará à carga contra Lulinha e manterá silêncio sobre possível envolvimento de Flávio Bolsonaro?

Durante meses, informações sobre Lulinha foram divulgadas a conta-gotas no contexto das investigações sobre as fraudes do INSS, alimentando suspeitas políticas que não se converteram, até aqui, em comprovação pública de envolvimento criminoso. A condução do caso por André Mendonça levantou questionamentos sobre o possível uso político da relatoria, em meio à crise que levou Edson Fachin a retirá-lo do inquérito. O contraste agora chama atenção: enquanto Lulinha ocupava as manchetes, vieram à tona informações sobre uma empresa de Flávio Bolsonaro que teria funcionado no mesmo endereço do Careca do INSS, relações financeiras com Willer Tomaz, apontado em denúncias relacionadas à lavagem de dinheiro, e o compartilhamento de contador com o principal investigado. Por que essas informações não receberam a mesma exposição?

A questão central é saber se houve seletividade na circulação de informações e eventual proteção política a Flávio Bolsonaro. Não se pode concluir que Mendonça tenha protegido o senador apenas pela ausência de vazamentos, mas a diferença de tratamento merece apuração. O governo Lula precisa ficar atento à possibilidade de novas ofensivas políticas alimentadas por informações seletivas das investigações. É perfeitamente plausível que Mendonça volte à carga com o recebimento novamente da relatoria do caso. O que não pode acontecer é uma investigação sobre um dos maiores escândalos previdenciários do país ser transformada em instrumento de desgaste de adversários e blindagem de aliados.