• Redação
  • 24/10/2026

Coaf aponta movimentação de R$ 1,3 milhão incompatível com renda de Flávio Bolsonaro e identifica repasse suspeito para quitar mansão

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelados neste sábado (24) pelo jornal O Globo apontam que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) movimentou aproximadamente R$ 1,3 milhão entre janeiro e março de 2024, valor considerado incompatível com sua capacidade financeira declarada. Segundo o órgão, o volume das operações foi 7,19 vezes superior ao esperado para a renda informada pelo parlamentar. 

Os documentos identificaram R$ 660 mil em créditos e R$ 649 mil em débitos no período. Entre as transações que despertaram suspeitas está um repasse de R$ 520,2 mil realizado pelo escritório Gavioli e Viola Advogados Associados. O dinheiro foi utilizado para antecipar a quitação do financiamento de uma mansão adquirida por Flávio Bolsonaro em Brasília, avaliada em R$ 5,97 milhões. O imóvel havia sido financiado em 2021, com prazo de pagamento de 30 anos, mas a dívida foi liquidada em aproximadamente três anos.

A operação chamou a atenção dos técnicos do Coaf, que registraram suspeitas sobre o valor recebido e sua destinação. O financiamento foi encerrado mediante seis pagamentos extraordinários, que variaram de R$ 198 mil a R$ 997 mil. A investigação busca esclarecer a origem dos recursos e sua compatibilidade com os rendimentos do senador.

Os relatórios integram um inquérito da Polícia Federal que investiga as relações financeiras entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, no contexto de suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas e plataformas de apostas on-line. O procedimento tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A PF também examina registros de viagens internacionais custeadas por empresas ligadas ao advogado e documentos que apontam Flávio como usuário autorizado de uma conta bancária vinculada a uma empresa offshore.

A divulgação ocorre na véspera do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). Procurado pelo O Globo, Flávio Bolsonaro não se manifestou especificamente sobre os novos relatórios até a publicação da reportagem. Em declarações anteriores, afirmou que seu patrimônio foi constituído com recursos lícitos provenientes de suas atividades como advogado, empresário e parlamentar.