Caso Meta expõe problema maior: o Brasil não controla a praça pública digital onde seus cidadãos passam o dia
O dia foi dominado pela denúncia de que ferramentas da Meta geram conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro, com o número 22, mas não reproduzem o mesmo comportamento quando solicitadas a produzir materiais para Lula, com o número 13. O episódio levanta uma questão sobre a neutralidade das plataformas durante as eleições. Mas o problema mais grave vai além da eventual assimetria entre candidatos: trata-se de uma questão de soberania nacional.
O Tribunal Superior Eleitoral fica dependente das explicações fornecidas pelas próprias empresas para compreender como seus sistemas funcionam e por que produzem determinados resultados. O Estado brasileiro tem capacidade limitada de auditar os algoritmos que organizam o debate público nas plataformas. A praça pública onde milhões de brasileiros passam boa parte do dia é administrada por empresas privadas estrangeiras, cujas decisões podem afetar a circulação de informações e o debate eleitoral. A questão central é como garantir transparência, fiscalização independente e soberania democrática sobre esse espaço.