Atlas da Violência mostra RN com menor taxa de homicídios em 10 anos
O Rio Grande do Norte registrou 809 homicídios em 2024, com taxa de 23,5 mortes por 100 mil habitantes, o que representa a mais baixa da série histórica analisada no Atlas da Violência 2026, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A queda acumulada entre 2014 e 2024 chegou a 51,6% na taxa estadual e a 49,5% no número absoluto de vítimas, colocando o RN entre os cinco estados com maior redução proporcional no país no período.
Nos últimos cinco anos (2019–2024), a taxa recuou 40,8%, terceira maior queda entre as unidades da federação, atrás apenas do Distrito Federal e de Goiás, segundo os registros oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade.
Natal segue como a capital com maior redução histórica entre as 27 capitais brasileiras: a taxa por 100 mil habitantes caiu 64,2% entre 2014 e 2024, e 37,6% apenas nos últimos cinco anos.
Apesar da trajetória de queda, o estado ainda apresenta indicadores preocupantes em outras dimensões. O RN possui a segunda maior taxa de internações por tentativa de homicídio entre homens (44,6 por 100 mil) e a segunda maior entre mulheres (48,7 por 100 mil), ficando atrás apenas do Pará.
O número de homicídios de mulheres no estado foi de 40 casos em 2024, com queda de 7% em relação a 2023. O RN registra taxa de feminicídio abaixo da média nacional, mas o Atlas alerta que subnotificação compromete a leitura real dos dados.
A proporção de homicídios cometidos com arma de fogo no estado é de 78,6% do total, percentual que se mantém entre os mais altos do país e praticamente estável há pelo menos quatro anos.
O estado também apresenta alta taxa de encarceramento: 476 presos por 100 mil habitantes em 2024, número 15,5% acima do registrado em 2023 e superior à média nacional, sinalizando pressão crescente sobre o sistema prisional potiguar.
As estatísticas oficiais mostram que o Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, com 20,1 casos por 100 mil habitantes, uma redução de 7,4% na comparação com 2023. É o menor patamar da série histórica iniciada em 2014. Os dados estão no Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), nesta terça-feira (26/05).
Atlas detalha outras tipificações de mortes
De acordo com material publicado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, apesar dos números oficiais, em muitas outras ocorrências o Estado não consegue identificar a causa básica do óbito: se decorrente de acidentes, suicídios ou homicídios. Esses casos são classificados como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI).
A partir desses casos excluídos das estatísticas oficiais, os pesquisadores desenvolveram uma metodologia capaz de identificar, dentre as MVCI, quais têm maior probabilidade de corresponder a homicídios. Com isso, os autores passaram a somar aos números oficiais os chamados homicídios ocultos.
A juventude permanece no centro da violência letal brasileira: crianças e adolescentes sofrem um ciclo crescente de violências não letais que antecedem, em muitos casos, desfechos mais graves. O crescimento das notificações de violência sexual é um dos dados mais críticos. Na primeira infância (0 a 4 anos), os registros de violência sexual cresceram mais de quatro vezes em uma década, saltando de 1.671 casos em 2014 para 7.845 em 2024. Na faixa de 5 a 14 anos, o aumento foi de 6.594 para 29.135 notificações no mesmo período.
Os dados apresentados evidenciam uma redução geral nos homicídios de mulheres no Brasil ao longo da última década, com uma queda de 27,7% entre 2014 e 2024, atingindo o menor índice da série histórica em 2024. É importante destacar que esta redução nos homicídios de mulheres foi puxada pela diminuição no número de homicídios cometidos fora do ambiente doméstico, cuja taxa foi de 3,47 por 100 mil em 2014 para 2,17 em 2024. Porém, o índice de mulheres assassinadas dentro de casa manteve-se praticamente estável no período, variando de 1,25 para 1,18, o que é um forte indicativo de que não houve redução na quantidade de feminicídios.
Outro dado significativo é que a violência letal persiste de maneira mais intensa entre mulheres negras, que apresentam uma taxa 66,7% superior à das mulheres não negras, refletindo a interseccionalidade entre gênero e raça.