• Redação
  • 29/10/2026

🚨 ATENÇÃO - Raio-X de 8.115 urnas no RN: Álvaro impulsionou Allyson; Lula e a queda de brancos e nulos levaram Cadu à vitória

Uma análise exploratória dos resultados das eleições de 2026 no Rio Grande do Norte, realizada a partir dos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cruzou as votações para presidente e governador nas mesmas 8.115 seções eleitorais, considerando o primeiro e o segundo turno. O procedimento utiliza a inferência ecológica, técnica estatística empregada na ciência política para investigar possíveis deslocamentos eleitorais a partir de resultados territoriais agregados. Foram examinadas as variações nas proporções de votos, com regressões que controlam diferenças entre municípios e zonas eleitorais. O método permite identificar associações estatísticas, mas não comprova transferências individuais de votos, em razão do risco de falácia ecológica.

Os resultados reforçam a associação territorial entre os votos de Álvaro Dias, que recebeu 530.580 votos no primeiro turno, e a votação de Allyson Bezerra no segundo. Nas regressões por seção, a proporção de votos de Álvaro apresentou coeficiente positivo de aproximadamente 0,97 em relação à proporção de votos de Allyson, controladas outras variáveis eleitorais e as diferenças entre zonas. Isso não significa que 97% dos eleitores de Álvaro tenham votado em Allyson, mas revela uma associação territorial expressiva. 

A redução dos votos brancos e nulos, combinada com o crescimento do comparecimento, também ajuda a compreender a ampliação dos votos válidos no segundo turno. Para governador, os brancos diminuíram em 40.651 votos, os nulos em 22.157, e o comparecimento registrado aumentou em 61.796. Nas regressões territoriais, as proporções de brancos e nulos do primeiro turno apresentaram associações positivas com o crescimento da votação de Cadu Xavier, com coeficientes superiores aos observados para Allyson. Esse resultado é compatível com a hipótese de que esses grupos tenham contribuído para o avanço de Cadu.

O cruzamento inédito entre as votações presidenciais e estaduais acrescenta uma informação importante. Lula passou de 1.237.963 votos para 1.413.596 no RN, crescimento de 175.633 votos, enquanto Cadu avançou 354.724 e Allyson, 306.590. Nas regressões que comparam as mesmas seções dentro de cada zona eleitoral, o crescimento proporcional de Lula apresentou associação positiva com o crescimento de Cadu, com coeficiente de 0,191, e negativa com o de Allyson, com coeficiente de -0,146, após os controles utilizados. O padrão territorial é, portanto, mais compatível com uma aproximação entre a expansão de Lula e a de Cadu, sem permitir quantificar quantos eleitores adicionais do presidente escolheram cada candidato ao governo. 

Tabelas da análise