• Redação
  • 19/07/2026

Até quando o "excesso de chuvas" servirá de desculpa (fajuta) para os alagamentos anuais em Natal?

Mais uma vez, bastaram poucas horas de chuva intensa para que Natal voltasse a registrar alagamentos em diferentes regiões da cidade. O roteiro se repete ano após ano: ruas intransitáveis, transtornos para moradores e prejuízos para comerciantes. A justificativa de que os problemas decorreriam apenas do transbordamento de uma lagoa de captação também perde força diante da recorrência de alagamentos em diversos pontos da capital, além de mais de uma lagoa de captação. O debate, portanto, não pode continuar restrito ao volume de chuva, mas precisa enfrentar a insuficiência estrutural do sistema de drenagem urbana.

O argumento de que "choveu demais" acompanha sucessivas administrações municipais e, ao longo do tempo, tornou-se uma explicação recorrente dada pelos defensores do poder da vez para um problema que permanece sem solução definitiva. Enquanto gestões se alternam, a cidade continua vulnerável aos mesmos cenários de inundação, sem que a drenagem urbana ocupe o centro das prioridades do planejamento público. O fato de até a orla de Ponta Negra, recentemente beneficiada por uma ampla intervenção, registrar pontos de alagamento reforça que o desafio vai muito além de episódios isolados e evidencia a necessidade de discutir, de forma técnica e permanente, a infraestrutura de drenagem de Natal.