Álvaro começa a campanha na pancadaria, mas quando vai apresentar Álvaro?
Até agora, a campanha de Álvaro Dias tem uma característica bastante incomum: é praticamente só pancadaria. O ex-prefeito começou a campanha oficial direcionando ataques a Allyson Bezerra e à governadora Fátima Bezerra, numa estratégia muito mais preocupada em desconstruir adversários do que em construir a própria candidatura. Isso chama atenção porque a abertura de uma campanha costuma ser justamente o momento de apresentação: quem é o candidato, qual sua mensagem central, quais suas prioridades e por que o eleitor deveria escolhê-lo.
Álvaro evidentemente terá propostas. A questão, portanto, não é a inexistência de conteúdo programático, mas a escolha de não colocá-lo, até aqui, no centro da comunicação. Há uma possível lógica eleitoral nisso: como Allyson lidera a disputa e Fátima representa o governo que Álvaro pretende suceder, atacar os dois permite tentar desgastar simultaneamente o favorito e o grupo governista do outro adversário Cadu de Lula. Só que campanha negativa funciona melhor quando existe, paralelamente, uma identidade positiva suficientemente clara para ocupar o espaço aberto pelo ataque.
É aí que surge o risco. Se Álvaro passar tempo demais explicando por que Allyson e Fátima são ruins, poderá terminar ajudando o eleitor a conhecer seus adversários mais do que a conhecer sua própria proposta para o RN. E há uma pergunta que a campanha precisará responder cedo ou tarde: qual é o Álvaro que pretende governar o Estado? O que fez a Engorda de Ponta Negra? O das obras inacabadas? Quem não fala sobre si acaba sendo falado. O início indica que ele sabe contra quem está concorrendo. Ainda falta mostrar, com a mesma intensidade, a favor de quê está concorrendo.