• Redação
  • 12/05/2026

Ainda queremos Ciro Nogueira no palanque de Flávio Bolsonaro, diz Valdemar à CNN

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disse à CNN Brasil nesta terça-feira (12) que o partido ainda quer o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no palanque com o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ).

A declaração ocorreu dias após a operação Compliance Zero, da PF (Polícia Federal), realizar uma busca e apreensão contra o senador. As investigações apontaram que Nogueira recebeu "vantagens indevidas" do ex-banqueiro e dono do extinto Banco Master, Daniel Vorcaro. 

"Hoje ainda queremos [Ciro no palanque de Flávio]. Até que se prove alguma coisa contra ele. Se provarem alguma coisa contra ele, a conversa muda. Temos que dar o direito de defesa a ele", disse Valdemar em entrevista ao Bastidores CNN.

Segundo relatório da PF, o parlamentar teria apresentado uma emenda com o objetivo de ampliar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A suspeita é de que o instrumento teria sido elaborado com participação de integrantes do Banco Master.

Além disso, "no plano patrimonial, aponta-se a percepção de vantagens reiteradas, materializadas por pagamentos mensais, aquisição societária com expressivo deságio, custeio de despesas pessoais e fruição de bens de elevado valor, além de indícios de recebimento de numerário em espécie".

Em nota, a defesa de Ciro repudiou a operação e afirmou que o senador "não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados". De acordo com os advogados, o parlamentar está à disposição para prestar esclarecimentos.

PF diz que Ciro recebeu sugestão de emenda do Master

Segundo a decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), Ciro Nogueira recebeu um envelope com uma sugestão de emenda parlamentar elaborada pelo Banco Master.

O texto seria a chamada "emenda Master" (Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023), com suposta autoria de Nogueira, e buscava alterar o limite de garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Conforme mostrou a CNN, Daniel Vorcaro celebrou com um interlocutor o momento da apresentação da emenda, mencionando o nome de Ciro.

“Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro [sic]! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu o banqueiro à época.

O projeto era visto como essencial para o banco, uma vez que a instituição utilizava o FGC como parte de seu modelo de negócios. Os ativos oferecidos pelo Master eram atrativos aos investidores por apresentarem uma promessa de rendimentos acima da média e a garantia do fundo como segurança da aplicação.