A UERN INCOMODA PARTE DA ELITE DE NATAL PORQUE COLOCA NO DIPLOMA QUEM ELA ESPERAVA VER SERVINDO
Talvez parte da resistência de setores da elite de Natal à UERN tenha uma explicação que vai além das contas públicas: a universidade produz mobilidade social exatamente onde, durante muito tempo, o destino parecia determinado pelo lugar de nascimento e pela renda da família. É a UERN que chega ao interior e amplia o acesso ao ensino superior para jovens que dificilmente teriam condições de se deslocar para a capital. Onde antes havia uma enorme distância entre a periferia, a pequena cidade e o diploma universitário, a universidade pública abriu uma ponte.
E seu impacto não termina na formatura. A UERN ajuda a equipar o próprio Rio Grande do Norte de gente qualificada. Professores que vão para as escolas, profissionais que ocupam as burocracias municipais, trabalhadores especializados que chegam às empresas, pesquisadores, servidores e empreendedores que permanecem movimentando a economia das regiões onde nasceram. Poucas instituições conseguem penetrar tão profundamente no território potiguar. A UERN não apenas forma indivíduos: ela distribui conhecimento, capacidade técnica e oportunidades pelo estado.
É justamente aí que pode morar parte do ressentimento. Uma sociedade hierárquica se incomoda quando o lugar social deixa de parecer hereditário. A universidade transforma em professor, advogado, enfermeiro, pesquisador ou servidor público o filho da família que, algumas décadas atrás, talvez estivesse condenado aos postos mais precários. Somado ao anti-intelectualismo presente em determinados setores sociais, isso ajuda a compreender por que a UERN desperta tanta hostilidade. O que incomoda não é apenas quanto a UERN custa. É o que ela muda: a criança que esperavam encontrar servindo pode aparecer amanhã com um diploma na mão e sentada à mesma mesa.