A QUESTÃO CENTRAL DAS PESQUISAS - O que será determinante na eleição de 2026 no RN? A força de Lula ou a baixa aprovação de Fátima Bezerra?
O QUE SERÁ DETERMINANTE?
A divulgação de mais uma pesquisa eleitoral para o Governo do Rio Grande do Norte recoloca no centro do debate uma questão clássica da ciência política: afinal, o que pesa mais na decisão do eleitor? A avaliação do governo atual ou a força de uma liderança política capaz de transferir votos? Historicamente, a literatura especializada mostra que governos bem avaliados costumam reeleger seus grupos políticos ou fazer sucessores, enquanto governos mal avaliados tendem a abrir espaço para a oposição. No Rio Grande do Norte de 2026, porém, esses dois fatores caminham em direções diferentes.
De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém desempenho eleitoral expressivo no estado e continua liderando os cenários presidenciais apresentados pelos institutos de pesquisa. Ao longo das últimas disputas, Lula demonstrou possuir forte capacidade de influência sobre parte significativa do eleitorado potiguar, tornando-se um dos principais ativos políticos da eleição. Sua aprovação permanece superior à da governadora Fátima Bezerra em diferentes levantamentos divulgados nos últimos meses.
Do outro lado, a gestão estadual enfrenta índices elevados de desaprovação. Pesquisas recentes apontam que a avaliação negativa do governo Fátima continua sendo um dos principais desafios para o grupo governista na disputa pela sucessão estadual. Em condições normais, esse cenário favoreceria candidatos que se apresentassem como alternativa ao atual governo.
ESTRATÉGIA DOS CANDIDATOS
É justamente dessa tensão que nasce o principal dilema da eleição de 2026. Cadu Xavier busca transformar a disputa em um referendo sobre Lula, destacando sua vinculação ao presidente e deixando em segundo plano a imagem da atual governadora. Já Álvaro Dias tenta fazer o movimento inverso: associa o adversário ao desgaste administrativo do governo estadual e procura se apresentar como instrumento de mudança. Allyson Bezerra, por sua vez, tenta ocupar um espaço intermediário, criticando aspectos da gestão estadual sem aderir completamente à polarização nacional entre lulismo e bolsonarismo.
A questão central é que nenhum dos três caminhos está garantido. Se a eleição for definida principalmente pela força política de Lula, o candidato mais identificado com o presidente tende a sair beneficiado. Se prevalecer o sentimento de insatisfação com a administração estadual, o cenário favorece quem conseguir representar de forma mais convincente a ideia de mudança. Caso os dois fatores se equilibrem, abre-se espaço para uma candidatura que consiga dialogar simultaneamente com eleitores de diferentes campos políticos.
O QUE VALE MESMO ACOMPANHAR AGORA NAS PESQUISAS
Por isso, mais do que os números atuais das intenções de voto, o dado mais importante das pesquisas é a disputa pela narrativa. A eleição de 2026 poderá ser decidida menos por quem lidera hoje e mais por quem conseguir convencer o eleitor sobre qual tema deve orientar seu voto: a continuidade representada pela força de Lula ou a mudança impulsionada pela baixa aprovação do governo Fátima Bezerra. É nesse cruzamento que provavelmente estará a chave da sucessão estadual.