• Redação
  • 07/08/2026

A guerra perdida que o PT insistiu em travar: operação pela tentativa da eleição tampão na AL começa a cobrar sua fatura

Maquiavel ensinou que virtù também está em reconhecer os limites impostos pela realidade: quando não há condições de avançar, insistir pode significar apenas desperdiçar recursos e expor desnecessariamente os próprios aliados. O PT do Rio Grande do Norte parece ter ignorado essa máxima ao forçar uma operação política para tentar viabilizar a candidatura de Fátima Bezerra ao Senado. Na tentativa de construir votos suficientes para seu candidato em uma eventual eleição-tampão para o Governo do Estado, a federação abriu sua nominata e atraiu deputados estaduais. O custo dessa engenharia começa agora a aparecer: o partido corre o risco de perder uma cadeira na Câmara dos Deputados e talvez duas na Assembleia Legislativa.

Este blogueiro alertou diversas vezes, sendo erradamente visto por alguns como um "oposicionista" de ocasião, que se tratava de uma operação impossível, por uma razão elementar da própria correlação de forças: o último lance permaneceria nas mãos da oposição, que poderia reagir à movimentação governista e inviabilizar a maioria necessária a partir do momento que o PT deixasse a cadeira do governo. Ao tentar vencer no braço uma disputa cujo desfecho não controlava, o PT pode ter comprometido posições importantes nas eleições proporcionais em nome de uma estratégia para o Senado que nunca dependeu apenas de sua própria vontade. Se esse cenário se confirmar nas urnas, ficará a pergunta: quanto o partido terá sacrificado para insistir numa guerra que, desde o início, apresentava poucas condições de ser vencida?