• Redação
  • 16/10/2026

A esquerda nunca mais será a mesma após 2026: o eleitor mudou e ela se rendeu ao punitivismo

A esquerda brasileira não será mais a mesma depois de 2026. Até pouco tempo, seria inimaginável ouvir candidatos de esquerda prometendo prender bandidos, endurecer penas e ampliar a repressão policial. Historicamente, o discurso predominante era o de que a criminalidade deveria ser enfrentada com educação, emprego, cidadania e redução das desigualdades sociais. Esse repertório não desapareceu, mas perdeu a centralidade. A esquerda passou a incorporar uma linguagem que, durante décadas, foi identificada principalmente com a direita.

A mudança é profunda. O eleitorado brasileiro passou a exigir respostas mais duras contra a criminalidade, e a esquerda percebeu que insistir exclusivamente no discurso social significaria perder espaço político. A recente defesa de Lula da redução da maioridade penal, caso confirmada nesses termos, seria um dos símbolos mais expressivos dessa transformação. Não se trata apenas de uma adaptação retórica, mas de uma alteração histórica na maneira como a esquerda disputa o tema da segurança pública. O endurecimento penal deixou de ser um monopólio discursivo da direita.

O resultado é que dificilmente veremos novamente uma esquerda eleitoralmente competitiva sustentando o antipunitivismo como eixo central de sua política de segurança. Isso não significa o desaparecimento da defesa dos direitos humanos, mas sua convivência com propostas de punição mais severa. Foi o eleitorado que girou, e a esquerda se rendeu à nova realidade. A política também funciona assim: partidos ajustam suas posições para sobreviver eleitoralmente. Em 2026, a esquerda brasileira parece ter compreendido que, sem responder à demanda popular por punição e segurança, corre o risco de perder as eleições.