A eleição vai acabar e nem Cadu de Lula nem Allyson explicaram como farão o inevitável ajuste fiscal no RN
O segundo turno está chegando ao fim e nenhum dos dois candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu de Lula (PT) e Allyson Bezerra (União Brasil), apresentou com clareza como pretende enfrentar o inevitável ajuste fiscal do Estado. O RN convive com uma estrutura de despesas rígida, elevado comprometimento da receita com pessoal, déficit previdenciário, duodécimos elevados destinados aos demais poderes, dificuldades para pagar fornecedores e reduzida capacidade de investimento com recursos próprios. O próximo governador terá de enfrentar uma equação difícil: reorganizar as contas públicas, recuperar a capacidade de investimento e garantir o funcionamento dos serviços essenciais. Não há solução mágica para um problema estrutural que atravessa diferentes governos.
É justamente por isso que o debate fiscal deveria ocupar o centro da campanha neste segundo turno. Cadu e Allyson precisam esclarecer se pretendem rever benefícios fiscais, renegociar compromissos, conter o crescimento da folha, discutir os repasses aos demais poderes, reformar a previdência ou ampliar receitas. Quais despesas serão reduzidas? De onde virão os recursos para novos investimentos? Como regularizar os pagamentos sem comprometer saúde, educação e segurança? Prometer obras, melhorias salariais e ampliação de serviços sem explicar como financiar tudo isso é fugir da principal responsabilidade de quem pretende governar. O eleitor tem o direito de saber não apenas o que os candidatos prometem fazer, mas como pretendem pagar a conta.