A covardia da esquerda que fortaleceu Styvenson na política potiguar
Durante anos, a política do Rio Grande do Norte assistiu praticamente sem reação ao crescimento de Styvenson Valentim. Na visão deste articulista, especialmente a esquerda potiguar abriu mão de enfrentá-lo no campo das ideias, permitindo que o senador consolidasse uma narrativa quase sem contraponto. Enquanto assumia para si os méritos de ações positivas ocorridas no estado e atribuía os problemas aos adversários, poucas lideranças se dispuseram a questionar suas versões dos fatos ou suas frequentes mudanças de discurso. O espaço deixado vazio acabou sendo ocupado por uma comunicação política eficiente e por uma presença constante nas redes sociais. Não por acaso, Styvenson aparece hoje liderando pesquisas de opinião. Essa liderança, contudo, não deve ser vista como um fenômeno inerte ou imutável. Em política, percepções mudam quando são confrontadas por fatos, argumentos e disputa permanente de narrativa.
Essa postura, ao que parece, se agravou quando a esquerda passou a ocupar o governo estadual. A disputa permanente pela narrativa política deu lugar, em muitos momentos, a uma postura mais defensiva e acomodada. O exercício do poder pode trazer estabilidade administrativa, mas a competição política não desaparece por causa disso. Pelo contrário: quem deixa de disputar a opinião pública abre espaço para que os adversários construam sua própria imagem sem maiores resistências. Styvenson pode e deve ser enfrentado politicamente, mas essa tarefa cabe sobretudo a quem possui mandato, estrutura partidária, visibilidade e condições efetivas para travar esse debate na arena política. Esperar que essa função seja exercida apenas por terceiros significa abrir mão de um dos elementos centrais da democracia: o contraditório.
Também chama atenção, na avaliação deste articulista, o fato de que questionamentos envolvendo o senador tenham sido explorados muito mais por um pequeno grupo de jornalistas e blogueiros independentes do que pelas principais lideranças da oposição a ele. São esses profissionais que frequentemente publicam reportagens sobre temas considerados sensíveis e que, muitas vezes, precisam lidar com ações judiciais movidas em resposta às suas publicações. O efeito prático pode ser o de desestimular novas reportagens e tornar mais custoso o escrutínio público. Quando partidos e lideranças deixam de exercer o papel de contraponto político, acabam transferindo para uma parcela da imprensa uma responsabilidade que deveria ser compartilhada por toda a oposição organizada.