• Redação
  • 19/07/2026

A corrida pelo Governo do RN vai apertar, mas o cenário não virou

Não gosto de fazer prognósticos baseados em torcida. Em política, prefiro partir dos dados disponíveis e admitir que cenários mudam. Hoje, a fotografia da eleição mostra Allyson Bezerra na liderança da maior parte das pesquisas divulgadas, enquanto Álvaro Dias e Cadu Xavier disputam espaço logo atrás, ainda que em patamares distintos conforme o instituto e a metodologia. Há levantamentos que mostram vantagem confortável de Allyson e outros que apontam uma disputa mais equilibrada entre os primeiros colocados, o que reforça que a campanha ainda está em construção.

O principal desafio de Allyson será administrar uma pressão crescente. Como líder nas pesquisas, tornou-se alvo preferencial dos dois polos da disputa. De um lado, setores ligados ao bolsonarismo tentam atrair o eleitor mais identificado com a direita para Álvaro Dias. De outro, o campo governista trabalha para consolidar em Cadu Xavier o voto mais identificado com o presidente Lula, cuja influência eleitoral permanece relevante no Rio Grande do Norte. Ao mesmo tempo, Cadu apresenta crescimento gradual à medida que amplia seu conhecimento junto ao eleitorado e associa sua imagem às lideranças nacionais e estaduais do PT, enquanto Álvaro mantém uma estrutura política robusta e busca converter sua experiência e o antipetismo em votos. Cadu, quando associado aos seus principais apoiadores, eleva seu desempenho, enquanto Allyson preserva força especialmente no interior do Estado. Está escancarado que Cadu e Álvaro só acreditam em vitória caso se enfrentarem em segundo turno. Allyson atua como se ainda não tivesse um grande adversário preferencial.

Há quem compare a situação de Allyson à de Carlos Eduardo em 2024, quando liderou boa parte das pesquisas para a Prefeitura de Natal e terminou fora do segundo turno. A analogia, contudo, encontra diferenças relevantes. Allyson chega à disputa com um arco amplo de apoios, forte presença no Alto Oeste, estrutura partidária consolidada, maior tempo de rádio e televisão e redes sociais bastante competitivas. Carlos Eduardo, naquele contexto, enfrentava uma campanha mais isolada politicamente e com menor capacidade de mobilização. Isso não elimina riscos para Allyson, mas torna o cenário distinto daquele observado em Natal.

Minha impressão, à luz das informações disponíveis hoje, é que a disputa entre Allyson, Álvaro e Cadu tende a ficar cada vez mais apertada ao longo da campanha. Não descarto oscilações importantes, sobretudo quando o horário eleitoral começar e a campanha entrar em sua fase mais intensa. Ainda assim, considero prematuro concluir que Allyson ficará fora do segundo turno. A liderança inicial, a estrutura política e a capilaridade regional continuam sendo ativos relevantes. O que parece mais provável, neste momento, é uma eleição altamente competitiva, sem um candidato encerrando o primeiro turno com larga vantagem sobre os demais, o que promete uma reta final de campanha intensa e decisiva.