7x0 - PEC assinada por Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho e Styvenson surge como reação ao fim da escala 6x1 e abre caminho para jornadas em até sete dias da semana
Enquanto trabalhadores de todo o país pressionam pela aprovação de propostas que reduzam a jornada de trabalho e acabem com a escala 6x1, uma PEC liderada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e assinada por parlamentares como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Styvenson Valentim (PSDB-RN) segue na direção oposta. Em vez de limitar o tempo de trabalho, a proposta amplia a possibilidade de negociação individual entre patrões e empregados, uma tentativa de esvaziar o debate sobre a redução da jornada e criar uma alternativa à pauta que ganhou força no Congresso Nacional.
Embora o texto não mencione expressamente a adoção de uma escala 7x0, sua lógica de flexibilização permite que jornadas e regimes de trabalho sejam definidos diretamente por contrato sem qualquer limitação. Para especialistas do mundo do trabalho e representantes sindicais, isso abre espaço para acordos que podem resultar em mais dias consecutivos de atividade, enfraquecendo garantias históricas conquistadas pelos trabalhadores. A proposta transfere para o empregado, o lado mais fraco da relação, a responsabilidade de negociar condições diante de empresas que possuem muito mais poder econômico e capacidade de pressão.
A polarização é clara. De um lado, movimentos que defendem a redução da jornada e mais tempo livre para trabalhadores e suas famílias. De outro, uma proposta que privilegia a flexibilização das regras atuais e que pode funcionar como um instrumento para barrar o avanço do fim da escala 6x1, mantendo ou até ampliando formas de organização do trabalho consideradas excessivamente desgastantes.