14 de abril de 2026
Juiz rejeita ação de Trump que pedia US$ 10 bilhões por reportagem sobre ligação com Epstein
Autor: Daniel Menezes
A Justiça dos EUA rejeitou nesta segunda-feira (13) a ação do presidente Donald Trump contra o jornal The Wall Street Journal.
Trump processou os proprietários do jornal e dois repórteres por difamação, pedindo US$ 10 bilhões por uma reportagem que afirma que ele enviou ao financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein uma carta com conteúdo sugestivo e um desenho de uma mulher nua.
O juiz Darrin P. Gayles, do Tribunal Distrital dos EUA em Miami, afirmou que Trump não conseguiu demonstrar que a reportagem foi publicada com intenção maliciosa, mas autorizou o presidente a apresentar uma versão revisada da ação até 27 de abril.
Segundo ele, Trump não chegou nem perto de cumprir o padrão de “dolo específico” exigido em casos de difamação envolvendo figuras públicas. Esse critério exige provar não apenas que uma declaração é falsa, mas também que foi feita com conhecimento de sua falsidade.
"Esta reclamação não chega nem perto desse padrão", escreveu Gayles, segundo a Reuters. "Muito pelo contrário."
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Mensagens revelam detalhes da relação entre Trump e Jeffrey Epstein, acusado de exploração sexual — Foto: Reprodução/TV Globo
O juiz também afirmou que o Wall Street Journal entrou em contato com Trump para obter um comentário prévio e publicou sua negação, segundo a Reuters.
Isso permitiu que os leitores decidissem por si mesmos a que conclusões chegariamcontrariando a alegação de Trump de que o jornal agiu com dolo, segundo o juiz.
O juiz, contudo, não comentou sobre a veracidade dos fatos.
“Se o presidente Trump foi o autor da carta ou amigo de Epstein são questões de fato que não podem ser determinadas neste estágio do processo”, afirmou, de acordo com a agência de notícias Associated Press.
Em uma publicação na rede social Truth Social, nesta segunda-feira (13), algumas horas após a decisão, Trump afirmou que a medida “não é um encerramento”, mas sim uma “sugestão de reapresentação” de seu “caso poderoso”, o que, segundo ele, será feito “até 27 de abril”.
Um porta-voz da Dow Jones, empresa controladora do Wall Street Journal, afirmou em comunicado, segundo a Reuters:
"Estamos satisfeitos com a decisão do juiz de rejeitar esta queixa. Mantemos nossa posição quanto à confiabilidade, no rigor e na precisão das reportagens do Wall Street Journal ."
O que dizia a reportagem
A reportagem publicada em setembro de 2025 afirma que Trump enviou a carta para Epstein em 2003.
O jornal diz que a correspondência fazia parte de um álbum comemorativo produzido por Ghislaine Maxwell, parceira de Epstein, para celebrar os 50 anos dele — anos antes de o bilionário ser preso por abuso sexual de menores.
A carta atribuída ao atual presidente inclui uma mensagem datilografada dentro da silhueta de uma mulher nua desenhada à mão. A assinatura “Donald” aparece abaixo da cintura da figura. O texto termina com a frase: “Feliz aniversário — e que cada dia seja mais um maravilhoso segredo”.
Ainda segundo a reportagem, a suposta carta de Trump apresenta um diálogo fictício entre ele e Epstein, escrito em terceira pessoa. Veja a seguir o trecho divulgado pelo WSJ:
- Narrador: Deve haver mais na vida do que ter tudo.
- Donald: Sim, existe, mas não vou te dizer o que é.
- Jeffrey: Nem eu, já que também sei o que é.
- Donald: Temos certas coisas em comum, Jeffrey.
- Jeffrey: É verdade, pensando bem.
- Donald: Enigmas nunca envelhecem, você já notou?
- Jeffrey: Na verdade, isso ficou claro para mim da última vez que te vi.
- Donald: Um amigo é uma coisa maravilhosa. Feliz aniversário — e que cada dia seja mais um maravilhoso segredo.
Ao jornal, Trump negou ter escrito a carta ou desenhado uma mulher nua: "Nunca pintei um quadro na minha vida. Não desenho mulheres", disse. "Não é a minha linguagem. Não são as minhas palavras."
O Wall Street Journal afirmou que teve acesso ao suposto conteúdo do álbum, que teria sido analisado por investigadores do Departamento de Justiça anos atrás. O jornal não soube informar se as páginas foram revisadas durante o governo Trump.
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