14 de abril de 2026

Alcolumbre fala em ‘agressões permanentes às instituições’: ‘Todo mundo passando dos limites’

Autor: Daniel Menezes

Estadão - O presidente do Senado Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) afirmou que o País vive “uma agressão permanente às instituições republicanas”. Ele reclamou de “agressões” aos Três Poderes em um momento em que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e políticos do Legislativo e do Executivo são ligados ao escândalo do banco Master.

“Está muito bom agredir as instituições republicanas, seja do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário. Está muito cômodo ofender os outros. Está todo mundo passando dos limites institucionais que norteiam a boa convivência na relação republicana”, afirmou. “Ofender, subjugar, agredir e atacar não vai construir o Brasil que os brasileiros precisam e esperam dos Poderes”, completou.

A declaração ocorreu durante a posse do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI)José Guimarães, em uma série de recados dados antes dos protocolares elogios ao novo ministro.

Presidente do Senado Davi Alcolumbre definiu relação do governo com o Congresso como honesta e verdadeira Foto: Andressa Anholete

Presidente do Senado Davi Alcolumbre definiu relação do governo com o Congresso como honesta e verdadeira Foto: Andressa Anholete

Se for aprovado nesta terça-feira, 14, o relatório da CPI do Crime Organizado, que pede o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes,Dias Toffoli Gilmar Mendesserá enviado a Alcolumbre, a quem caberá decidir se o coloca em votação em comissão especial.

Alcolumbre também enviou uma mensagem explícita ao governo sobre as políticas sociais aprovadas nos últimos meses e fez questão de puxar parte dos louros para o Congresso. Disse que essas medidas foram “construídas a várias mãos” e com “muita contribuição do Legislativo”.

“As conquistas que essa relação honesta e verdadeira entregou à sociedade foram políticas públicas efetivas construídas a várias mãos e que estão efetivamente mudando a vida de milhões de brasileiros em rincões do Brasil”, afirmou.

“Foram conquistas sonhadas e idealizadas pelo Executivo, mas que tiveram absolutamente muita contribuição do Legislativo. E isso é o que importa”, completou.

Somente após essa série de recados é que Alcolumbre foi para a parte protocolar do discurso: os elogios ao novo ministro da SRI. Disse que a “experiência de Guimarães no Congresso e a amizade com o presidente Lula fará de Guimarães um importante elo na interlocução” com o Legislativo.

Alcolumbre ainda elogiou a ex-ministra Gleisi Hoffmann, que, afirmou, “cumpriu missão dada por Lula com muita maestria, dedicação e trabalho”. “É muito bom termos uma relação franca, verdadeira e honesta com as pessoas que querem o bem do País”, disse.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que falou logo antes de Alcolumbre, evitou recados. Primeiro, Motta elogiou a ex-ministra. Disse que ela desempenhou a função “de maneira correta, como sempre foi sua prática política, defendendo o que acredita e sem perder o respeito à Câmara, se pautou com muito compromisso com o País”.

“Apesar dos momentos de divergência, tivemos muito mais convergência em favor do País. Foram muitas entregas nas mais variadas áreas. Projetos que representaram avanço no campo econômico, no combate à violência, na distribuição de renda, na saúde, educação e tudo isso só foi possível ser construído graças à boa interlocução”, disse Motta.

O presidente da Câmara, então, elogiou Guimarães. Disse que ele é um “cidadão muito respeitado na Câmara” e que “sempre divergiu com habilidade”.

Segundo Motta, “Guimarães deu demonstrações de correção ao longo de sua vida e dá mais uma vez uma demonstração de correção política e de compromisso com o País, quando abre mão de uma reeleição muito bem construída em seu Estado” para chefiar a SRI.

“Você terá total condição de dar seguimento ao trabalho de Gleisi, vamos construir vitórias em favor do Brasil, conte conosco”, declarou.

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