13 de abril de 2026

Galípolo mantém sigilo sobre autorização de Campos Neto à criação do Master em 2019 após veto unânime

Autor: Daniel Menezes

O Banco Central tem se recusado a divulgar informações sobre como Daniel Vorcaro, do banco Master, obteve autorização para assumir o controle do banco Máxima em outubro de 2019.

Segundo Malu Gaspar, n’O Globo, em fevereiro do mesmo ano, a operação havia sido vetada por unanimidade pela diretoria do BC. O intervalo entre o veto e a aprovação coincide com a troca de comando da instituição: Ilan Goldfajn saiu e Roberto Campos Neto assumiu. A lacuna alimenta uma disputa política que envolve o governo Lula e o ex-presidente do Banco Central.

Em fevereiro de 2019, a diretoria da autarquia negou a transferência de controle porque Vorcaro não demonstrou a origem dos recursos nem capacidade financeira para a operação. Era a quarta tentativa desde setembro de 2017.

Em outubro, a aprovação veio, mas o extrato liberado pelo BC informa apenas que o pedido “atendia o disposto em lei”. Nenhum detalhe sobre a origem do dinheiro consta no documento público.

Foi tentado obter, via Lei de Acesso à Informação, os votos completos da diretoria que negou e que aprovou a operação. O Banco Central liberou apenas resumos e se recusou a entregar os documentos integrais.

A justificativa foi que os registros contêm dados protegidos por sigilo bancário e informações estratégicas que poderiam comprometer o sistema financeiro. O argumento é contestado por especialistas.

Para o advogado Bruno Morassuti, diretor da entidade Fiquem Sabendo, o caso não se enquadra nas hipóteses legais de sigilo. Ele argumenta que a lei de acesso à informação proíbe o uso do sigilo para acobertar ilícitos e que o interesse público do caso prevalece.

Segundo Morassuti, o BC tem base legal para afastar a proteção e tornar os dados públicos. A decisão dependeria de vontade institucional.

O presidente Lula e ministros como Rui Costa associaram publicamente o caso Master à gestão Campos Neto. O atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, porém, afirmou na CPI do Crime Organizado que nenhum processo de auditoria ou sindicância identificou culpa do ex-presidente.

Galípolo também negou que Campos Neto tivesse agido para evitar intervenção ou liquidação do banco em 2024. As declarações geraram irritação entre auxiliares de Lula.

O Máxima tinha histórico de irregularidades antes de Vorcaro assumir o controle. O dono anterior, Saul Sabbá, foi denunciado em 2021 pelo Ministério Público Federal por gestão fraudulenta entre 2014 e 2016, com manobras para simular valorização de ativos.

Sabbá confessou os crimes e fechou acordo em 2025, poucos meses antes de Vorcaro ser preso e o Master ser liquidado. O que mudou na proposta de Vorcaro para superar a resistência do BC permanece sem resposta.

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