12 de abril de 2026
A FORÇA DA INCUMBÊNCIA: Dilma já esteve 8 pontos atrás de Aécio, cenário bem pior do que o de Lula hoje, empatado com Flávio Bolsonaro, e virou a eleição
Autor: Daniel Menezes
A pesquisa Datafolha que apontou Flávio Bolsonaro um ponto à frente de Lula no segundo turno naturalmente acende um sinal de alerta no campo da esquerda, mas está longe de autorizar qualquer clima de rendição. O quadro exige reação política, mas também precisa ser lido com a devida perspectiva histórica. Afinal, disputa eleitoral competitiva não se encerra em fotografia de momento, sobretudo quando ainda há tempo, máquina incumbente e espaço para mudança de humor do eleitorado.
Vale lembrar que Dilma Rousseff, em 2014, chegou a aparecer em cenário bem mais adverso do que o atual, ficando oito pontos atrás de Aécio Neves em levantamento de segundo turno, e ainda assim conseguiu virar a disputa e vencer a eleição. Ou seja, a situação enfrentada hoje por Lula, embora preocupante, é objetivamente menos negativa do que a vivida por Dilma naquele momento. A história mostra que, quando a campanha se intensifica, a comparação entre projetos fica mais nítida, a força do governo em exercício pesa e o eleitor tende a reavaliar escolhas à luz de interesses concretos.
Isso não significa subestimar o problema. O governo Lula perdeu fôlego na avaliação positiva e precisa recuperar terreno, sobretudo diante de uma população endividada, insatisfeita e muitas vezes sem perceber, no cotidiano, medidas já adotadas em seu favor. Ainda assim, há instrumentos políticos e econômicos para reverter esse cenário, seja com ações para aliviar o aperto financeiro, seja com melhor comunicação sobre iniciativas como o alívio tributário para faixas importantes da renda. A lição de 2014 é clara: pesquisa ruim merece trabalho, não desespero.
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