11 de abril de 2026

Investigação aponta propina de R$ 4 milhões a ex-gestor do BC na gestão Campos Neto

Autor: Daniel Menezes

Do ICL - Relatório interno do Banco Central (BC) aponta que Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, simulou dois contratos que somaram R$ 4 milhões para ocultar o recebimento de propina no caso Banco Master. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (10).

Segundo a apuração, os contratos foram firmados com a Varajo Consultoria, empresa de Leonardo Palhares, apontado pela Polícia Federal (PF) como operador de Daniel Vorcaro, dono do banco. A sindicância concluiu que os documentos serviram para dar aparência legal aos pagamentos.

Em um dos contratos, Belline recebeu R$ 2 milhões por um estudo de 50 páginas sobre educação financeira. O relatório afirma que o material não tinha produção autoral relevante e não justificava o valor. Para os procuradores do BC, era “pouco crível” o pagamento milionário por esse tipo de conteúdo.

Belline chefiou a supervisão bancária entre 2019 e janeiro de 2026, atravessando a gestão Roberto Campos Neto e o início da gestão Gabriel Galípolo. Ele deixou o cargo em meio à investigação interna aberta pelo Banco Central sobre o caso Master.

As conclusões da sindicância se somam ao que a PF já havia apontado em março. Segundo investigação revelada por Estadão e Times Brasil/CNBC, Belline e o ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Souza atuavam como “consultores informais” de Vorcaro dentro do BC, com troca de mensagens, orientação sobre documentos e indícios de repasses regulares.

Contexto

O caso se soma a outras frentes de apuração sobre o Master. Documentos enviados pela Receita Federal ao Senado mostram que o banco declarou mais de R$ 543 milhões em pagamentos a 91 escritórios de advocacia entre 2022 e 2025, como mostrou a Folha de S.Paulo.

A lista inclui bancas ligadas a Viviane Barci de Moraes, Walfrido Warde, familiares de Ricardo Lewandowski e ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda. Em outra frente, também vieram a público pagamentos a Michel Temer e à empresa de Fabio Wajngarten, além de repasses ao grupo Metrópoles, ligado ao ex-senador Luiz Estevão, que teria recebido R$ 27,2 milhões

Também nesta sexta-feira (10), o ex-presidente Michel Temer confirmou que foi contratado pelo Master para prestar consultoria e atuar em uma mediação antes da liquidação da instituição. Segundo ele, houve pagamento de honorários, mas o contrato foi encerrado sem resultado, em entrevista à CNN Brasil.

Procurada pela Folha, a defesa de Leonardo Palhares afirmou que o caso está sob análise do Judiciário e que a empresa colabora com a investigação. A defesa de Vorcaro disse, em manifestação anterior, que o empresário coopera com a apuração. O BC informou que afastou os dois servidores e abriu procedimentos correcionais.

A defesa de Belline Santana não foi localizada nas reportagens citadas por esta matéria.

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