9 de abril de 2026
Em mensagens, presidenciável do MBL relatava uso de cogumelos mágicos, concurso de novinhas e gosto por Wagner, compositor usado pela propaganda nazista
Autor: Daniel Menezes
Do Metrópoles - Pré-candidato a presidente da República pelo Missão, Renan Santos participou ativamente de um grupo pelo Instagram no qual recomendava autores de extrema-direita, promovia concurso de “novinhas” e relatava uso de entorpecentes. Uma das principais bandeiras de campanha dele é o combate ao tráfico de drogas.
O Metrópoles teve acesso exclusivo às mensagens trocadas durante um ano e meio, entre abril de 2024 e outubro de 2025, no grupo Cannipapo. Elas fazem parte de uma denúncia-crime apresentada ao Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPFDF) pelo estudante de ciência política Ian Bartholo Lukas Coelho.
Em contato com o coluna, Renan confirmou a veracidade das mensagens tratadas nesta matéria e justificou-as uma a uma.
O presidenciável foi adicionado a revelia ao Cannipapo em setembro de 2024. Sua primeira interação foi questionar a motivação de quem o havia colocado naquele grupo “bizarro”. Após ser informado de que se tratava de uma reunião de apoiadores, Renan quis saber se os colegas conheciam autores cultuados pela extrema-direita, um deles declaradamente fascista.
Em seguida, ignorou as mensagens no grupo por mais de duas semanas. Retornou no dia 24 de novembro com a seguinte mensagem:
“Cara. Tomei um cogumelo e tô ouvindo Wagner. Adeus”.

O alemão e declaradamente antissemita Richard Wagner era o compositor favorito de Adolf Hitler e suas músicas eram usadas em comícios e eventos do regime nazista, que o tratava como exemplo de superioridade da música e do intelecto alemão.
Duas semanas depois desta mensagem, foi Renan quem voltou ao tema “cogumelos” no Cannipapo:
“Usei cogumelo de novo no fim de semana e tenho certeza que existe um mundo gigante cheio de significados no inconsciente. Que alguns acessam mais que outros”.
Um colega pergunta: “Cubensis?”. Ele responde: “Si”. Cubensis é também conhecido como Cogumelo Mágico e seu cultivo, aquisição e comercialização só são autorizados no Brasil para fins de pesquisa, coleção e amostra botânica.

Recentemente, a polícia do DF desmantelou uma quadrilha que comercializava o Cogumelo Mágico. Os investigados respondem pelos crimes de tráfico de drogas qualificado, lavagem de dinheiro e integração em organização criminosa, entre outros.
Apesar de relatar no grupo o consumo de drogas, Renan tem se posicionado radicalmente contra o comércio de drogas. Em dezembro, incendiou uma suposta bandeira do Comando Vermelho e prometeu que a facção “vai virar cinzas” se ele for eleito presidente.
A origem da droga: “Me deram”
À coluna, Renan disse não saber a origem dos entorpecentes utilizados por ele: “Sei lá, me deram. Eu nunca comprei. Eu ganhei, tomei uma microdose. Eu tomei uma vez um um negócio e foi isso”, afirmou inicialmente, citando ter relatado este uso em uma entrevista ao podcast Flow.
Contrastado com o fato de ter relatado o uso de cogumelos em dois momentos, voltou atrás. “Que eu me lembro, tomei na minha vida três vezes. Microdosagem talvez tenha tomado alguma microdosagem para trabalhar, para escrever, que eu uso isso para ver artigos, talvez, mas não me lembro assim, tá?”.
Renan disse que o uso de Cogumelo Mágico é diferente do uso de outras drogas que ele combate. “Primeiro que isso aqui não tá financiando nenhum tráfico de droga internacional de porra nenhuma. Eu não sou um drogado. Eu usei um 0,00 de alguma coisa para uma experiência musical e não recomendo os outros que façam e nem vou fazer mais, porque eu não preciso disso, tá? Eu nunca matei ninguém para para isso. Eu nunca financiei nada disso. Não tenho nenhuma contradição nisso”, afirmou.
O político afirmou ainda que, se o eleitor dele for contra o uso de entorpecentes, ele pode se comprometer a nunca mais usar cogumelo mágico. “Se isto for por parte do nosso eleitor, de ele dizer, ‘ah, Renan, foi errado você ter tomado uma microdose do negócio para ouvir uma música na tua casa’, tá bom, não usarei mais. Isso não é problema para mim, isso não é contradição. O que interessa é minha postura como homem público na defesa do que interessa.”
Conversas no Cannipapo
Quando acessado pela reportagem a partir de um link aberto, o grupo Cannipapo tinha 17 participantes, entre eles Renan. A imagem representativa do grupo era o desenho de um personagem musculoso com um barrete frígio (uma espécie de gorro) com a inscrição: “Lord Renan Groyper”.
Os groypers são um movimento político nascido nos EUA com forte apelo antissemita e oposição ao feminismo e aos direitos LGBTQ+. De acordo com o Institute for Strategic Dialogue (ISD), os groypers têm como objetivo “promover e normalizar ideias nacionalistas brancas dentro do conservadorismo tradicional”. À coluna, Renan disse rejeitar o principal líder do movimento, o podcaster Nick Fuentes, um supremacista branco que nega o holocausto.
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