2 de abril de 2026

Por que o Ministério Público do RN ainda não buscou a responsabilização de Álvaro Dias pelo que ele fez com a engorda de Ponta Negra?

Autor: Daniel Menezes

A obra de engorda da praia de Ponta Negra, executada na gestão do ex-prefeito Álvaro Dias, já apresenta sinais visíveis de fragilidade que vão além de críticas políticas e entram no campo técnico. Registros recentes mostram alagamentos recorrentes e a formação de voçorocas, inclusive após chuvas de baixo volume, o que evidencia falhas no sistema de drenagem. Há, inclusive, apontamentos da Defesa Civil Nacional indicando erro na execução da obra, com a drenagem deixada para etapa posterior, problema que teria levado à retenção de parcelas de repasses federais. O cenário expõe uma contradição evidente: uma intervenção costeira que não suporta a ação da água, justamente em uma área sujeita à dinâmica marítima.

Além disso, imagens e relatos reforçam que parte da areia adicionada já foi novamente levada pelo mar, especialmente nas imediações do Morro do Careca, principal cartão-postal que a obra prometia proteger. Diante desse quadro, cresce a cobrança sobre a atuação do Ministério Público do Rio Grande do Norte, que ainda não avançou na responsabilização dos agentes envolvidos. A omissão chama atenção sobretudo quando comparada a episódios anteriores, como a condução de termos de ajustamento de conduta na terceirização da saúde de Natal, mesmo diante de alertas técnicos do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte e do Ministério Público de Contas. O caso da engorda de Ponta Negra reúne elementos que, no mínimo, justificariam investigação rigorosa e a ausência de respostas institucionais levanta questionamentos sobre o cumprimento do papel fiscalizador diante de um problema de grande impacto urbano e ambiental.

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