30 de março de 2026
Oncologistas explicam se mau cheiro nos genitais pode indicar câncer
Autor: Daniel Menezes
Metrópoles - Cada pessoa possui um odor corporal próprio, inclusive na região íntima. No entanto, quando o cheiro se torna forte, persistente ou diferente do habitual, muitas pessoas passam a se perguntar se isso pode indicar algum problema de saúde mais sério. Entre as dúvidas mais comuns está a possibilidade de o mau cheiro estar relacionado ao câncer.
Especialistas ouvidos pelo Metrópoles explicam que, na maioria das vezes, alterações no odor genital estão associadas a infecções comuns ou a outras causas benignas, e raramente indicam doenças graves.
Segundo o oncologista Luiz Reis, do Hospital Águas Claras, as infecções ginecológicas estão entre os motivos mais frequentes para o aparecimento de cheiro desagradável.
“Na maioria das vezes, o mau cheiro na região genital é causado por infecções comuns e tratáveis. As causas mais frequentes são a vaginose bacteriana, a candidíase e a tricomoníase”, explica.
De acordo com o médico, a vaginose bacteriana é responsável por cerca de metade dos casos e costuma provocar um odor semelhante a peixe, que pode se intensificar após relações sexuais ou durante a menstruação. Já a tricomoníase pode causar cheiro forte acompanhado de corrimento amarelado ou esverdeado e sinais de inflamação.
A candidíase, por outro lado, geralmente provoca coceira e corrimento branco espesso, mas raramente está associada a mau cheiro.
Além das infecções, outros fatores também podem alterar o odor da região íntima. Entre eles estão higiene inadequada, suor excessivo, presença de corpo estranho, como tampões esquecidos, e alterações hormonais, especialmente após a menopausa.
Quando o odor pode indicar algo mais sério?
Embora seja incomum, em alguns casos o mau cheiro genital pode estar associado a doenças mais graves, incluindo certos tipos de câncer ginecológico ou urológico.
Luiz Reis explica que, quando existe relação com câncer, o odor costuma aparecer acompanhado de outros sintomas.
“Alterações no odor podem ocorrer em alguns casos de câncer ginecológico, mas isso é raro e geralmente não acontece de forma isolada. Quando relacionado à doença, costuma vir acompanhado de sangramento fora do padrão, dor pélvica ou outros sinais”, afirma.
No câncer do colo do útero, por exemplo, pode ocorrer corrimento com cheiro forte, especialmente em fases mais avançadas da doença. Ainda assim, o médico destaca que esse não costuma ser o primeiro sintoma.
“Nos estágios iniciais, a doença muitas vezes não causa sintomas e é identificada em exames de rotina. Quando surgem sinais, o mais comum é o sangramento após relação sexual ou fora do período menstrual”, diz.[0] Comentários | Deixe seu comentário.