30 de março de 2026

Acusada de incitar violência, escola diz que cântico ‘Espanca até matar’ é ‘motivacional’

Autor: Daniel Menezes

ICL - Após denúncia do vereador Bruno Ziliotto (PT), que divulgou vídeo de crianças marchando e entoando cânticos agressivos, o curso Unibe Escola Pré-Militar se manifestou, justificando a cena que viralizou nas redes sociais.

No vídeo, crianças uniformizadas recitam versos que dizem “bate na cara, espanca até matar; arranca a cabeça e joga ela no mar. E o interrogatório é muito fácil de fazer; eu pego o inimigo e dou porrada até morrer”.  Divulgado na redes sociais por Ziliotto, o vídeo resultou também em uma denúncia ao Ministério Público de Santa Catarina por apologia à violência. “

Em nota, a direção do curso Unibe Escola Pré-Militar afirma que esse tipo de canção, chamada de TFM (Treinamento Físico Militar), “é uma prática amplamente utilizada pelas Forças Armadas e instituições militares com o objetivo de desenvolver disciplina, condicionamento físico, resistência, trabalho em equipe e, principalmente, valores como respeito, hierarquia e superação”.

Ainda de acordo com a nota, são canções usadas no Exército. Para a direção do curso, mesmo usando imagens como “espanca até matar” e “dou porrada até morrer, as canções tem “caráter motivacional”: “As canções entoadas durante os treinos não têm caráter ofensivo, mas sim motivacional, ajudando a manter o ritmo, a união do grupo e o foco durante as atividades.”

De acordo com a nota, essa prática faz parte de um “ambiente educativo, com orientação e acompanhamento, onde aprendem não apenas atividades físicas, mas também valores fundamentais para a formação de cidadãos responsáveis e comprometidos”.

Para a direção do curso, “esses jovens não estão sendo expostos a algo prejudicial, mas sim sendo preparados, com responsabilidade, para desafios futuros que exigem caráter, preparo físico e mental.”

O vereador Bruno Ziliotto, autor da denúncia ao MP, afirma que “a escola perdeu a oportunidade de se retratar e acabou escolhendo dissimular a situação. Segundo a legislação brasileira, não existe contexto em que crianças possam ser educadas para cometimento de crimes de extrema violência.”

“Depois de acionar o Ministério Público de SC, registramos Boletim de Ocorrência e seguiremos denunciando a todas as autoridades competentes para apurar e responsabilizar os envolvidos. Não podemos tolerar a manipulação de menores de idade em favor de um projeto fascista de educação”, diz Ziliotto.

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