29 de março de 2026
EXCLUSIVO: Obra de macrodrenagem, marcada por atrasos e explosão de custos, avança com afundamentos no Bom Pastor; casas racham e Prefeitura mantém moradores e sociedade no escuro sobre a gravidade da situação
Autor: Daniel Menezes
Moradores do bairro Bom Pastor, na zona Oeste de Natal, relatam uma situação de risco crescente associada às obras de macrodrenagem da Avenida Jerônimo Câmara. Segundo os relatos, o avanço do túnel em área próxima ao lençol freático tem provocado afundamento do solo e o surgimento de rachaduras em diversas residências. O cenário se agravou após o registro de uma casa que cedeu, após abertura de grande cratera na região, ampliando o clima de pavor na comunidade. Sem informações claras por parte da Prefeitura, famílias vivem na incerteza sobre permanecer ou deixar suas casas, enquanto parte já recorreu à Justiça individualmente e outros se organizam para acionar a Defensoria Pública.
A atuação da Defesa Civil, de acordo com os moradores, tem sido insuficiente para dar segurança à população. Laudos considerados inconclusivos recomendam apenas o monitoramento das fissuras, sem indicar de forma objetiva se há necessidade de desocupação. Diante disso, algumas famílias têm arcado com aluguel por conta própria para evitar riscos, enquanto outras permanecem nos imóveis por falta de condições financeiras, convivendo com medo constante. Há também forte crítica à falta de transparência: os moradores afirmam que não houve reuniões formais com os impactados e que a Prefeitura não vem informando adequadamente nem a população diretamente atingida nem a sociedade sobre a gravidade da situação.
O temor aumentou após relatos de que representantes da obra e da Prefeitura teriam visitado uma residência em risco pouco antes de um desabamento parcial, reforçando a percepção de omissão. Para os moradores, a continuidade da obra, mesmo diante dos riscos, estaria relacionada ao alto custo de remoção e reassentamento de famílias, o que contribui para a sensação de abandono. O resultado é um cenário de insegurança, em que a população segue exposta enquanto a intervenção avança sem comunicação pública consistente.
Histórico da obra
A macrodrenagem da Jerônimo Câmara é uma obra que se arrasta há anos e se tornou um dos principais símbolos de atraso e aumento de custos de uma intervenção em Natal. Inicialmente orçada em cerca de R$ 140 milhões, a intervenção passou por sucessivos aditivos e revisões. Durante a gestão do então prefeito Álvaro Dias, chegou a ser anunciada como próxima da conclusão durante a eleição de 2024, com mais de 70% executada e mais de R$ 120 milhões já investidos. As previsões, no entanto, não se confirmaram.
Com o passar do tempo, a obra permaneceu inacabada e passou a demandar novos recursos, incluindo a tentativa de captação de cerca de R$ 90 milhões adicionais. Reportagens recentes da Tribuna do Norte e do OPotiguar apontam que o custo total do projeto já alcança aproximadamente R$ 188 milhões, consolidando uma trajetória marcada por atrasos, aumento de orçamento e falta de previsibilidade. Hoje, além de não ter sido entregue, a obra acumula impactos diretos sobre a população, que enfrenta riscos estruturais e cobra transparência, até agora, sem respostas claras por parte da Prefeitura, que esconde a dimensão do problema dos moradores e da sociedade natalense em geral.
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