29 de março de 2026
"Aprovar PL da Misoginia na Câmara vai ser um verdadeiro ringue", afirma relatora do texto aprovado no Senado
Autor: Daniel Menezes
Sbt News
O texto foi aprovado por unanimidade por senadores, após pressão da sociedade civil. Agora, vai para análise dos deputados e encontra mais resistências.
“Apesar de já termos inaugurado o ‘baixo clero’ no Senado Federal, a Câmara dos Deputados realmente é mais difícil. Podem esperar escândalos, gritos, até (embates) físicos. Vai ser um verdadeiro ringue para ganhar esse round. Mas eu creio que, de acordo com o envolvimento da população, a tendência é que coloquem para votar”, afirmou em entrevista ao Sala de Imprensa.
No programa, Thronicke esclarece quais condutas o texto criminaliza. Após aprovação no Senado, vários conteúdos mentirosos publicados na internet distorceram as informações sobre o projeto de lei.
“A pessoa pode falar ‘bom dia’ para uma pessoa? Sim. Pode elogiar? Ok, desde que não seja um assédio sexual, é uma questão de razoabilidade”, explicou.
“Vai passar a ser crime externar o ódio e a repulsa às mulheres. A lei não vai proibir ninguém de pensar. Quem quiser continuar misógino, e há homens e mulheres misóginos, o problema vai ser externar”, detalhou.
A senadora destacou que a aprovação do projeto de lei chega em momento de expansão de grupos voltados a agredir mulheres, os chamados red pills. Em 2025, o Brasil registrou o assassinato de 4 mulheres por dia, vítimas de feminicídio, quando o crime é cometido por ódio contra mulheres.
“Precisamos fazer um tratamento de choque na população brasileira. É uma agonia o que vivemos. Acordamos todos os dias e vamos dormir com notícias cada vez mais estarrecedoras em todas as classes. O que mais me espanta é que a ojeriza à palavra feminismo é pior que ao nome feminicídio”, pontuou.
O texto estabelece conceitos de termos que envolvem os universos masculino e feminino. “O machismo tem por objetivo a supremacia do homem sobre a mulher. O contrário de machismo é femismo e não feminismo. O femismo busca a supremacia das mulheres em detrimento dos homens. Já o feminismo pretende alcançar a igualdade ou a isonomia, portanto direitos iguais, entre homens e mulheres. A misoginia é o ódio, a aversão, a segregação da mulher”, descreve a relatora.
Uma vez registrado boletim de ocorrência, o Ministério Público passará a ser obrigado a abrir processo e levar o caso à justiça, mesmo que a vítima não queira. Isso porque muitas mulheres desistem de seguir com a ação, o que é parte da relação conturbada e de dependência emocional e/ou financeira que muitas vítimas vivem.
“Estamos vendo números alarmantes. Parece que vivemos uma pandemia de violência contra mulher. Por mais que estejamos legislando para proteger as mulheres, o homem que quer cometer um crime contra mulher não tem medo da legislação. Por isso que nós devemos continuar e fazer que sejam desengavetados projetos de lei de suma importância para evitar que chegue a esse ponto”.
Há projetos, que também tramitam no Congresso, e flexibilizam a posse e o porte de spray e espuma de pimenta; taser de choque; e também de cães treinados para proteger mulheres de ataques.
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